Por Chiara Lombardi — Em um olhar que mistura a estética do esporte e a intensidade do romance contemporâneo, Heated Rivalry desembarca na plataforma italiana com um roteiro que funciona como um espelho do nosso tempo. Disponível na HBO Max Itália a partir de 13 de fevereiro, a série canadense adapta os livros de Rachel Reid e já se destaca não apenas pelo enredo, mas pelo modo como expõe os desejos, os segredos e as pressões do universo do hockey no gelo.
A primeira cena de sexo surge aos 18 minutos do episódio inicial — um dado que, por si só, anuncia o ritmo da série: físico, direto, muitas vezes sem rodeios. Ainda assim, Heated Rivalry não é apenas voluptuosidade; é um estudo sobre identidade e visibilidade. Ao acompanharmos Ilya Rozanov (Connor Storrie) e Shane Hollander (Hudson Williams), percebemos que o que prende é a dinâmica dupla de rivalidade e intimidade: adversários no gelo, amantes em segredo fora dele.
A adaptação segue a trilha dos romances Heated Rivalry e The Long Game, parte da série “Game Changers” de Rachel Reid, autora que iniciou sua produção de MM romance em 2018 como resposta à homofobia enraizada no esporte nacional do Canadá. Esse pano de fundo confere à série uma camada política discreta, o roteiro funcionando como um reframe da realidade esportiva — não apenas um melodrama, mas um comentário sobre o preço da fama e sobre a necessidade de esconder afetos em ambientes hostis.
O que transforma Heated Rivalry em um produto perfeito para o binge watching são outros ingredientes sensoriais: cenas de sexo consumado e sugerido, sequências de olhares que constroem tensão, e uma presença constante do sexting como recurso narrativo. Há, inclusive, momentos de crueza explícita (sim, aparece até um dick pic), mas o tratamento dado ao tema do consentimento é cuidadoso e esclarecedor — a série lida com o desejo sem banalizá-lo.
Curiosamente, o público que mais devora a série são as mulheres, sinalizando que a atração vai além da orientação sexual dos protagonistas: o apelo está nas tipologias emocionais e na construção dos papéis. Ilya encarna o arquétipo do “belo e torturado”, enquanto Shane assume o papel do tímido romântico — um contraste clássico que, na tela, funciona como uma câmera que revela o roteiro oculto da sociedade em relação a masculinidade e afeto.
Do ponto de vista estético, a produção equilibra o glamour do ambiente esportivo com uma mise-en-scène íntima: close-ups que lembram frames de cinema independente europeu, e um uso da luz que transforma o gelo em palco para narrativas de desejo e silêncio. A direção opta por uma linguagem direta nos diálogos e por uma montagem que privilegia a pulsação emocional sobre explicações longas.
Em suma, Heated Rivalry seduz por ser simultaneamente explícita e reflexiva. É uma série que oferece prazer imediato — o tipo de série que se assiste de uma vez —, mas também sugere questões maiores sobre visibilidade, homofobia e representação no esporte. Como observadora do zeitgeist, vejo-a como mais do que entretenimento: é um pequeno espelho de transformação cultural, que convida o público a repensar quem tem permissão para amar e sob quais condições.
Ficha técnica rápida: Série: Heated Rivalry; Plataforma: HBO Max Itália; Baseada em: livros de Rachel Reid; Protagonistas: Connor Storrie (Ilya Rozanov) e Hudson Williams (Shane Hollander); Disponível a partir de: 13 de fevereiro.




















