Por Stella Ferrari — A economia dos Estados Unidos adicionou 130.000 novos postos de trabalho em janeiro, número que supera com folga as expectativas do mercado e sinaliza uma melhora no mercado de trabalho após uma sequência de dados fracos. O relatório do Bureau of Labor Statistics veio quase o dobro dos 68.000 previstos por economistas e muito acima dos 48.000 revisados para o mês anterior.
Imediatamente, os rendimentos do Tesouro norte-americano subiram, na medida em que investidores recalibraram as probabilidades de corte de juros neste ano. O rendimento de dois anos, sensível à política monetária, avançou 0,08 ponto percentual, para 3,55%, o maior nível em uma semana. As apostas do mercado, que chegaram a precificar dois ou três cortes de juros até dezembro, foram reduzidas — agora apenas dois cortes permanecem implícitos.
Em Wall Street, o humor está dividido: o mercado pondera entre o alívio gerado pela resistência da economia e o desapontamento pela redução das expectativas de afrouxamento monetário. Metaforicamente, o motor da economia acelerou no curtíssimo prazo, ao mesmo tempo em que a calibragem dos juros perde a tração prevista pelos agentes.
Nas últimas semanas, outros indicadores davam sinais de deterioração, com aumento de demissões e queda nas vagas. Esses resultados, contudo, reforçam a observação do presidente do Federal Reserve, Jay Powell, de que o mercado de trabalho mostra “sinais de estabilização”.
Do lado político, o presidente Donald Trump saudou os números como “ótimos” e renovou a pressão para que o Fed reduza as taxas de juros, argumentando que os EUA deveriam pagar menos pelos seus empréstimos, condizente com a sua retórica de recuperação de força econômica.
Além do dado mensal, o BLS divulgou as revisões finais para o período de abril de 2024 a março de 2025: uma correção líquida negativa de 898.000 vagas, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de 911.000 e em linha com as expectativas de Wall Street. Setorialmente, o crescimento foi puxado pela saúde, com 82.000 novos empregos em dezembro, e pela assistência social, com 42.000. A construção acrescentou 33.000 vagas, após um ano de crescimento tímido. Por outro lado, empregos federais caíram 34.000 — reflexo de ajustes contábeis relativos a demissões reportadas no ano anterior — e as atividades financeiras recuaram 22.000.
Em linhas gerais, trata-se de um resultado que manteve o vigor do mercado de trabalho e complicou o calendário de cortes do Fed. Para investidores e conselhos de administração, é momento de ajustar a estratégia: a aceleração observada não garante permanência, mas modifica as probabilidades e exige uma nova calibragem de risco — como afinar a suspensão de um motor para rodar suavemente em altas rotações.
Comentando o fluxo, a economista-chefe Heather Long (CNBC) resumiu: “foi um boom ocupacional em janeiro”. O desafio agora é distinguir o pulso temporário do ajuste estrutural, e monitorar os próximos dados para avaliar se os freios fiscais e monetários seguirão mantendo a economia nos trilhos desejados.






















