Por Marco Severini — A Ufficio europeo di selezione del personale (EPSO) lançou um novo concurso geral para integrar a carreira administrativa da União Europeia no nível de ingresso AD5. Publicado na Gazeta Oficial em 5 de fevereiro de 2026, o edital EPSO/AD/427/26 cria uma lista de reserva com 1.490 candidatos destinados a abastecer as diversas instituições comunitárias.
Do ponto de vista técnico e estratégico, este processo representa um movimento no tabuleiro institucional: formar um contingente de “policy officers” júnior capazes de atuar na análise, redação e gestão de dossiês que sustentam decisões políticas. O perfil exigido é simples na forma, porém significativo em conteúdo: a posse de uma licenciatura de três anos (concluída até setembro de 2026) e a prova de domínio de duas das 23 línguas oficiais da União, sendo que para uma delas basta um nível “satisfatório”.
As instituições que poderão recorrer a essa lista de reserva incluem a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu, o Conselho da União Europeia, o Comitê Econômico e Social Europeu, o Comitê das Regiões e agências descentralizadas (por exemplo, EMA, ECDC, Frontex). As possíveis sedes de trabalho contemplam Bruxelas, Luxemburgo e Estrasburgo, refletindo o desenho multi-sede que compõe os alicerces — às vezes frágeis — da diplomacia e da administração europeia.
Os números salariais também atraem atenção: o nível de ingresso AD5 prevê um vencimento bruto mensal em torno de 6.100 euros, o que corresponde, após as deduções habituais, a aproximadamente 5.500 euros líquidos. É uma remuneração que coloca o cargo como uma meta atraente para quadros júnior interessados em carreira pública europeia e na tectônica de poder que a acompanha.
Quanto ao calendário prático, os candidatos têm até 10 de março para carregar um documento de identidade válido no portal. A documentação complementar exigida pelo edital deverá ser submetida até 7 de outubro. Todos os inscritos dentro do prazo serão convocados a realizar uma série de testes totalmente remotos: provas de raciocínio, conhecimento sobre a União Europeia, competências digitais e um exercício escrito livre sobre questões europeias.
Para o observador estratégico, este concurso não é apenas recrutamento: é um redesenho discreto de capacidades institucionais, um reforço das linhas de frente administrativas que sustentam a política comunitária. Quem entra no cadastro de reserva não garante posto imediato, mas posiciona-se num tabuleiro onde os movimentos futuros das instituições dependerão de prioridades políticas, realocações geográficas e das demandas de agências especializadas.
Recomenda-se atenção ao cumprimento rigoroso de prazos e à preparação cuidadosa para os testes remotos. Em termos de estratégia de carreira, tratar este concurso como um investimento de longo prazo na arquitetura das políticas europeias pode representar um movimento decisivo para quem aspira influir nas vias da integração.






















