Por Otávio Marchesini — O sonho olímpico de Cam Bolton, veterano do snowboard australiano, terminou antes mesmo de começar em Milano Cortina 2026. Em um episódio que volta a lembrar os riscos inerentes à preparação de alto rendimento, o atleta de 35 anos sofreu uma lesão grave durante um treino em Livigno na segunda-feira, 9 de fevereiro, e acabou afastado da competição.
Inicialmente, a avaliação no local não indicou ferimentos aparentes, e havia a impressão de que Bolton teria escapado ileso. No entanto, no dia seguinte ele acordou com uma dor intensa no pescoço que só aumentou. Diante da gravidade sintomática, foi decidido o transporte de emergência por helicóptero até Milão para exames mais aprofundados.
A tomografia computadorizada revelou uma notícia ruim: duas vértebras cervicais fraturadas. A confirmação levou à retirada imediata da delegação australiana dos Jogos — Bolton não competirá em Milano Cortina 2026. A chefe da delegação, Alisa Camplin-Warner, declarou que “Cam está bem e está recebendo um alto nível de assistência” e elogiou a coordenação e a comunicação entre a equipe médica e a família do atleta.
Durante a convalescença inicial no hospital, Bolton recebeu a visita da esposa, Grace. O episódio desperta preocupação sobre a gestão de treinamentos em condições exigentes e sobre como pequenas avaliações iniciais podem subestimar lesões que se manifestam com atraso.
Do ponto de vista esportivo imediato, a vaga de Bolton em Milano Cortina 2026 será ocupada por James Johnstone, que fará sua estreia olímpica. Para a equipe australiana, é um reajuste rápido de planos: substituir um atleta experiente por um estreante exige reorganização tática e emocional, e mostra como as Olimpíadas são, ao mesmo tempo, palco de continuidade e de oportunidades inesperadas.
Bolton havia chegado em Pequim 2022 à 13ª posição no snowboard cross masculino; sua trajetória combina experiência e resiliência, características que o colocaram como figura de referência dentro do time australiano. Agora, mais do que o resultado, importa sua recuperação e a dimensão humana do acontecimento — a lesão lembra que, para além das medalhas, há corpos e histórias que demandam proteção e cuidado.
Em termos mais amplos, o incidente em Livigno reabre debates recorrentes: o equilíbrio entre intensidade de treino e segurança, a logística de atendimento em áreas alpinas e a necessidade de protocolos que identifiquem precocemente lesões potencialmente graves. Para espectadores e dirigentes, é um lembrete de que a cultura do desempenho precisa conviver com a prudência médica.
Enquanto a equipe australiana organiza a participação com Johnstone, a atenção se volta para a recuperação de Cam Bolton — e para as medidas que possam reduzir a repetição de episódios como este. Em esporte de elite, uma lesão pode silenciar um atleta temporariamente; a responsabilidade coletiva deveria trabalhar para que a interrupção não se transforme em tragédia.






















