A investigação sobre o incêndio que devastou o bar Constellation, em Crans-Montana, na passagem de ano 2026, avançou para uma etapa decisiva com medidas judiciais simultâneas na Itália e na Suíça. A tragédia, ocorrida na noite de 31 de dezembro de 2025 para 1º de janeiro de 2026, resultou em 41 mortos e 115 feridos, e agora move ações focadas na preservação de provas digitais e eletrônicas.
Em Roma, a Procura di Roma, coordenada pelo procurador Stefano Opilio, determinou o sequestro probatório de telefones celulares pertencentes a jovens italianos que morreram ou ficaram feridos no incêndio. O ato, adotado nos últimos dias, cobre ao menos 13 aparelhos — para alguns havia medida anterior em curso — com o objetivo de extrair imagens, vídeos, chats e outros dados gerados entre 31 de dezembro de 2025 e 1º de janeiro de 2026.
O decreto sustenta que esses elementos digitais «podem documentar a dinâmica e as circunstâncias di tempo e luogo dei fatti», e são considerados potencialmente essenciais para esclarecer responsabilidades sobre a segurança do estabelecimento. Fontes da investigação afirmam que as autoridades suíças não teriam apreendido todos os telefones das vítimas no local, abrindo a possibilidade de recuperação de provas decisivas por perícia forense autorizada pela justiça italiana.
No plano suíço, a Procura di Sion emitiu ordem conservativa para cópia e preservação de todos os dados contidos nas contas de correio eletrônico do Comune di Crans-Montana e parcialmente do ex-Comune di Chermignon. A ordem, datada de 26 de janeiro de 2026, exige que a empresa gestora faça cópia integral das caixas desde 1º de janeiro de 2015 até a data atual, incluindo arquivos arquivados em servidores externos.
A motivação da medida é direta: há «grave suspeita» de que servidores municipais possam estar implicados na cadeia de responsabilidade que culminou no incêndio. Correspondência sobre autorizações, controles de segurança e certificações relativas ao bar Le Constellation é tida como «indispensável para accertamento della verità». A preservação integral dos documentos visa impedir destruição, ocultação ou alteração de provas.
Paralelamente às diligências, a procuradora-geral Beatrice Pilloud lançou um severo advertimento aos advogados das partes, condenando vazamentos que permitiram a circulação de trechos ou do dossiê completo em meios de comunicação. Pilloud anunciou possibilidade de ações penais e, em casos extremos, restrições de acesso aos autos para defensores, com fundamento no artigo 108 do código de processo penal suíço, para proteger o segredo de investigação, os direitos das vítimas e o regular andamento das apurações.
Como complemento técnico do inquérito, foram divulgadas as primeiras imagens oficiais feitas pela polícia cantonal do Valais algumas horas após a tragédia. O dossiê fotográfico documenta a devastação: mobiliário carbonizado, tetos desabados e restos de uma festa convertida em desastre. Entre os registros mais inquietantes está o close de uma porta de serviço fechada com um trinco — atrás da qual foram encontrados vários corpos — detalhe que intensifica interrogações sobre a conformidade das vias de fuga e as medidas de segurança do estabelecimento.
Em campo, a apuração segue com enfoque no cruzamento de fontes, perícias digitais e análises forenses. O inquérito busca reconstruir, com fatos brutos e verificados, a cronologia do incêndio, os eventuais lapsos na regulação e nos controles administrativos e possíveis negligências dos responsáveis. As próximas etapas incluem extração pericial dos dispositivos apreendidos, análise da correspondência eletrônica municipal preservada e avaliação técnica das imagens oficiais já coletadas.
Relatos e publicações parciais continuam a desafiar o rigor investigativo: por isso a autoridade suíça reforça medidas de contenção de vazamentos e de proteção das provas. A expectativa é que os elementos digitais e as fotografias oficiais contribuam de maneira substancial para o esclarecimento da tragédia que abalou Crans-Montana.






















