Por Aurora Bellini, Espresso Italia — O olhar atento do cineasta e fotógrafo Paolo Rossi, laureado em 2025 no Festival Internazionale della Montagna dei Pirenei e vencedor do Premio Marcello Meroni na categoria Ambiente, volta-se agora para um habitante discreto e fascinante das nossas florestas: a marta (Martes martes).
O novo projeto cinematográfico, idealizado por Paolo Rossi em parceria com o naturalista Nicola Rebora, toma forma como um documentário que pretende revelar a vida íntima dessa mustelídea — conhecida por suas capacidades de salto, sua destreza na escalada e por abrigar-se nas cavidades das árvores antigas. Foi em 2019, durante o trabalho de campo centrado no gato selvagem no Appennino das Quattro Province, que a presença da marta chamou a atenção da equipe, reacendendo a curiosidade que se iniciara anos antes, quando registraram um primeiro vídeo casual em 2018, na Val Trebbia.
O filme vai além da observação: busca construir uma narrativa que conecte gerações. Por isso, foi lançada uma campanha de crowdfunding com prazo até novembro de 2026. O objetivo é duplo — arrecadar recursos para a produção e fomentar uma reflexão jovem sobre a importância de admirar, salvaguardar e proteger os bosques e seus moradores. Em nossas conversas, Rossi e Rebora destacam o vínculo especial da marta com as árvores centenárias; sua preferência por refúgios em troncos ocos e sua habilidade de subir até as copas mais altas transformam-na em um símbolo vivo da complexidade e fragilidade dos ecossistemas florestais.
Há um traço biológico particularmente comovente que o documentário quer iluminar: entre poucos mamíferos, a marta é capaz de adiar o parto para sincronizar o nascimento dos filhotes com uma estação menos rigorosa e com maior disponibilidade de presas. Esse detalhe natural ilustra como espécies e ciclos ambientais se entrelaçam — e como a conservação dos habitats é essencial para que esse diálogo evolutivo continue.
As imagens previstas prometem captar não só a agilidade do animal, mas também as texturas do bosque — a luz que se filtra entre as copas, as sombras que delineiam caminhos e os pequenos gestos que revelam estratégias de sobrevivência. É esse imaginário que Rossi e Rebora convidam a preservar. A campanha de financiamento coletivo, além de viabilizar a produção técnica, quer semear consciência: oficinas, exibições em escolas e conteúdos digitais farão parte do plano de difusão, para que o filme alcance olhares novos e comprometidos.
Como curadora e voz da Espresso Italia, enxergo neste projeto um convite para iluminar novos caminhos — não apenas no sentido artístico, mas no de responsabilidade coletiva. Proteger a marta é proteger a memória das florestas em seus troncos ocos, é garantir que futuras gerações herdem um horizonte límpido e rico em biodiversidade.
Para acompanhar o desenvolvimento do documentário e apoiar a campanha, a equipe disponibilizará atualizações regulares. A aposta é que, ao tecer essa narrativa audiovisual, possamos inspirar gestos concretos de preservação e uma relação mais ética com a natureza.
Atualização e formas de apoio serão divulgadas pela equipe do projeto e canais da Espresso Italia.






















