Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Chega de informações diretas do hospital de Treviso: a exímia campeã americana Lindsey Vonn divulgou duas fotografias do leito e uma mensagem curta, mas densa, depois de ter se submetido ao seu terceiro procedimento cirúrgico decorrente da queda sofrida durante a descida livre em Cortina, nos Jogos Olímpicos de Inverno.
Nas imagens, Vonn aparece com semblante sereno. Em sua atualização, ela afirma que o procedimento foi um sucesso e ressalta que, hoje, o significado de ‘sucesso’ mudou em comparação com alguns dias atrás: ‘Estou fazendo progressos’, escreveu a atleta. Segundo o comunicado, a lesão constatada é uma fratura deslocada da tíbia, uma condição que exigirá um tratamento cirúrgico sequencial e tempo de recuperação prolongado.
Aos 41 anos, com um currículo que inclui 84 vitórias na Copa do Mundo — duas delas nesta temporada — e o ouro olímpico da descida em 2010, Vonn encarna uma figura maior que o gesto técnico. Ela agradeceu explicitamente ao ‘incrível staff médico’, aos amigos e à família que a acompanharam, assim como ao afeto recebido de pessoas ao redor do mundo. Houve também uma menção aos colegas do Team USA: ‘Parabéns infinitos aos meus companheiros de equipe e a todos os atletas do Team USA que estão lá fora a me inspirar e a me dar algo para torcer’.
O episódio, ocorrido no domingo 8 de fevereiro, interrompeu uma tentativa de consagração que vinha carregada de simbolismos: após seis anos afastada, Vonn retornou à competição no final de 2024 e, por um período, foi tratada como favorita. A narrativa esportiva tomou uma guinada quando, poucos dias antes da abertura dos Jogos, ela sofreu outra lesão significativa — uma ruptura do ligamento cruzado anterior registrada em Crans-Montana, na Suíça — informação que complicou ainda mais a expectativa sobre sua participação e sobre o limite entre risco e recompensa na alta performance.
O episódio de Vonn não é apenas uma notícia de lesão; é uma possibilidade de reflexão sobre a exposição física e simbólica das grandes atletas. Em mensagem precedente, ela havia escrito: «Como no esqui, corre-se riscos também na vida. Sonhamos. Amamos. Saltamos. E às vezes caímos.» Essa frase devolve ao leitor a dimensão humana do esporte: o gesto técnico é inseparável do projeto de vida, e a queda reconta a epopeia individual em que se funda a memória coletiva do esporte.
Do ponto de vista clínico, a necessidade de múltiplos procedimentos cirúrgicos para uma fratura deslocada da tíbia é compatível com a complexidade do manejo ortopédico em atletas de elite, cujo objetivo não é apenas a consolidação óssea, mas a recuperação funcional que permita, a médio e longo prazo, uma vida ativa — com ou sem retorno às pistas.
Enquanto isso, a repercussão nas redes e o apoio internacional reforçam o papel de Vonn como uma referência transnacional do esqui alpino: símbolo de risco calculado, persistência e, agora, de um processo de recuperação que merece acompanhamento cuidadoso e, sobretudo, respeito.
Última atualização: 11 de fevereiro de 2026.






















