Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em mais um episódio que mistura esporte e memória coletiva, o presidente da República, Sergio Mattarella, esteve em Cortina para acompanhar provas dos Jogos e encontrou a esquiadora Sofia Goggia. O encontro, de tom discreto e institucional, teve a dimensão de um reconhecimento público à trajetória de uma atleta que encarna parte importante da narrativa esportiva italiana nos últimos anos.
“Complimenti. Terza olimpiade, terza medaglia. Domani assisterò alla sua gara, state raccogliendo una grande quantità di medaglie, abbiamo una bella squadra”, foram as palavras do presidente ao saudar Goggia — tradução que reafirma tanto o apreço pelas conquistas quanto a expectativa pela próxima disputa. A atleta, que já conquistou o bronze na prova de discesa em Cortina, vai disputar amanhã a lendária pista OlimpIA delle Tofane no SuperG, evento em que busca acrescentar mais um pódio ao currículo.
Goggia, no encontro, destacou o significado da presença presidencial: “Siamo tutte onorate che sia qui a vederci e a tifarci. Porto i suoi saluti a tutta la squadra.” O gesto do chefe de Estado, mais do que um elogio individual, é um sinal para o público e para os telespectadores: existe uma infraestrutura de trabalho, sacrifício e preparo por trás de cada resultado que merece ser reconhecida.
Além do contato pessoal com a campeã do esqui alpino, Mattarella manteve um diálogo por telefone com Arianna Fontana, referência máxima do nosso short track e atleta italiana mais medalhada da história dos Jogos de Inverno. “Congratulazioni, sei Olimpiadi, sei successi. E’ stata una gara formidabile, complimenti”, disse o presidente à velocista das pistas curtas.
Fontana, por sua vez, sublinhou à chamada a importância da calma competitiva: “Siamo riusciti a mantenere la calma ed è stata quella la formula vincente”. A atleta explicou a quem assiste pela primeira vez que a staffetta mista é curta e veloz, pouco intuitiva, e que a serenidade foi decisiva para conquistar o ouro.
O encontro de Mattarella incluiu ainda uma breve conversa com o presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, reforçando a dimensão institucional do evento: não se trata apenas de celebrar medalhas, mas de reconhecer sistemas de formação, federações e estruturas que mantêm o esporte italiano competitivo em nível global.
O cenário de Cortina — cidade que carrega uma relação simbólica com os esportes de inverno e com a memória dos Jogos — funciona como lente para perceber como a performance esportiva se insere em projetos nacionais de representação. A presença do chefe de Estado, as conversas com atletas que traduzem décadas de empenho e a repercussão na opinião pública evidenciam que cada vitória é também uma narrativa coletiva.
Neste momento dos Jogos, as palavras de Mattarella não soaram apenas como cortesia oficial: lembraram ao público que por trás das transmissões e das celebrações existe uma constelação de trabalho e disciplina. Para a equipe italiana, e para os que acompanham de perto, tratou-se de um reconhecimento formal — e de um estímulo para as próximas competições que ainda prometem emoções.





















