Roberto Vannacci, ex-comandante e fundador do movimento Futuro Nazionale após a saída da Lega, detalhou na entrevista à La7 os critérios do que chamou de um “casting” para compor o novo projeto político. Em tom direto e com a clareza de quem se dispõe a levantar os alicerces de uma nova construção partidária, Vannacci avaliou nomes, afinidades ideológicas e até possibilidades de mediação internacional.
Sobre a possibilidade de atrair Mario Adinolfi, Vannacci foi cauteloso: “Não o conheço bem, mas representa valores que eu sustento: a família natural ancorada às tradições, pode ser um interlocutor”. A observação sinaliza um critério claro: afinidade com valores conservadores como pedra de ligação entre potenciais aliados na arquitetura do partido.
Quanto a Mario Borghezio, o ex-general recordou interações anteriores e sublinhou a experiência do veterano: “Com Mario Borghezio, ci ho interloquito spesso. È una persona che ha caratterizzato l’esperienza politica italiana negli ultimi venti anni… Dobbiamo assolutamente confrontarci con lui”. Em outras palavras, Vannacci vê em Borghezio um elemento com bagagem capaz de contribuir para consolidar o projeto.
Surpreendentemente, o youtuber Simone Cicalone também recebeu aval: “Non è un politico, ma ha un’impostazione che mi piace… Ha un passato di tutto rispetto, ci siamo conosciuti, può essere valutato”. A abertura para uma figura fora dos circuitos tradicionais indica que Vannacci busca combinar experiência política com novas vozes que tenham apelo junto ao público.
Em contraste claro, Vannacci fechou a porta para Aboubakar Soumahoro, com um comentário curto e incisivo: “Ma per l’amor del cielo, ma chi mi rappresenta? Siamo seri” — traduzido: “Mas, pelo amor de Deus, quem me representaria? Sejamos sérios”. A reprovação de Soumahoro revela limites ideológicos e simbólicos que o núcleo fundador não pretende ultrapassar ao erguer o novo partido.
Na entrevista também veio à tona uma questão que extrapola a política interna: a possibilidade de Vannacci atuar como mediador entre a Itália e a Rússia no conflito ucraniano. Questionado sobre eventual papel junto a Putin, o ex-chefe da Folgore foi pragmático: “Non lo so, forse riuscirei a mediare meglio di Draghi… Se ci fosse l’opportunità, perché no?” — indicando abertura para iniciativas de diplomacia alternativa caso surja a chance.
Sobre ser rotulado como filo-putiniano, Vannacci foi rápido em redefinir sua posição: “No, sono pro-italiano ed europeo e questa guerra deve finire perché non è negli interessi né dell’Europa, né dell’Italia, né dell’Ucraina”. Ainda assim, avaliou a evolução do conflito com tom de alerta: “Se continuiamo così, l’Ucraina perde, sta già perdendo… L’esercito russo ogni giorno avanza inesorabilmente”.
A partir dessa leitura, Vannacci desenhou uma alternativa pragmática para evitar uma escalada: negociar. “L’unico modo per invertire il trend sarebbe coinvolgere la Nato e l’Ue a combattere sul campo… Di questo dobbiamo rendere conto ai cittadini italiani. Se non siamo pronti a invertire il trend, è inutile andare avanti. Occorre negoziare”. Em suma, defende que a política externa e de segurança não pode ser dissociada da responsabilidade de explicar sacrifícios à cidadania — a pedra angular da construção de legitimidade política.
Como correspondente atento à ponte entre Roma e a vida dos cidadãos, observo que as declarações de Vannacci não são apenas um exercício de montagem de nomes: são a tentativa de erguer uma nova estrutura política com perfis selecionados, limites nítidos e uma visão pragmática sobre guerra e diplomacia. A peça-chave, para ele, é conciliar discurso conservador com apelidos populistas e, ao mesmo tempo, manter distância de representações que não se coadunem com o projeto.
O processo de “casting” de Vannacci sinaliza que, na construção de um partido, a escolha de aliados é como erguer pilares: cada nome que se soma precisa sustentar o peso da caneta e a responsabilidade pública. Resta observar como esses contatos se transformarão em compromissos formais e se o novo partido conseguirá construir pontes sólidas entre tradição, mobilização social e prática política.






















