Val di Fiemme, 11 de fevereiro de 2026 — Em mais uma manhã de provas nórdicas nos Jogos de Milano Cortina 2026, a Noruega consolidou sua tradição na prova da combinada nórdica. O favoritismo confirmou-se com a vitória de Jens Luraas Oftebro, que somou o ouro num dia em que técnica de salto e resistência no fundo definiram um pódio que reflete a ordem atual da especialidade.
Oftebro, segundo colocado na classificação geral da Copa do Mundo da disciplina, alinhou-se ao principal grupo de candidatos e transformou a vantagem do salto em controle durante o perseguição em estilo livre. O austríaco Johannes Lamparter, líder da geral de Copa do Mundo, terminou logo atrás, assegurando a prata; o bronze ficou com o finlandês Eero Hirvonen. A disputa foi, em grande medida, um confronto entre programas nacionais que historicamente estruturaram a combinada — Noruega, Áustria e Finlândia — cada qual com um desenho próprio de formação, objetos técnicos e investimentos.
Para o público italiano, a corrida trouxe a confirmação das dificuldades de converter tradição em resultado entre os palcos internacionais. Samuel Costa, o melhor entre os azzurri, terminou em 13º lugar, a 2:22.6 do vencedor. Em seguida veio Aaron Kostner, na 16ª posição, a 3:18.8, e o veterano Alessandro Pittin, que competiu em sua sexta Olimpíada e confirmou a longevidade de sua carreira aos 36 anos. Pittin, lembrado pelo bronze conquistado em Vancouver 2010 — até hoje a única medalha italiana na combinada nórdica olímpica — assume, com postura discreta, o papel de referência histórica para as novas gerações.
O resultado, em termos simbólicos, reitera duas leituras complementares. A primeira é esportiva: a combinada continua a ser dominada por nações com sistemas integrados de base e continuidade técnica, capazes de articular salto e fondo como partes de um mesmo processo de formação. A segunda é cultural e organizacional: Val di Fiemme, palco já consagrado em mundiais e etapas de Copa, volta a demonstrar como infraestruturas locais e tradição alpina contribuem para a produção de espetáculos de inverno e para a memória coletiva regional.
Oftebro representa uma geração norueguesa que tem sabido renovar-se sem perder o fio condutor de um modelo de trabalho que alia centros de treinamento, ciência do esporte e circuito competitivo. Lamparter, por sua vez, mantém a Áustria no debate pela supremacia e Hirvonen sinaliza a continuidade finlandesa. Para a Itália, os resultados são um lembrete de que investimento e planejamento de longo prazo são condição necessária para voltar ao pódio em provas de combinação de técnicas distintas.
Resta a Val di Fiemme a atmosfera de arena-cidade: estádios e trilhas que contam histórias de gerações, onde cada corrida reescreve, num compasso curto, a relação entre esporte e identidade local. Na soma das voltas e saltos, Oftebro ergueu a bandeira norueguesa num território que, por tradição, reconhece e celebra as grandes narrativas do esqui.
Otávio Marchesini — repórter de Esportes, Espresso Italia. Cobertura de Val di Fiemme para Milano Cortina 2026.





















