Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Um incidente que arrancou silêncio e depois um longo aplauso do público marcou a disputa de snowboard half‑pipe em Livigno, nesta quarta‑feira, durante as Olimpíadas de Milano Cortina 2026. A chinesa Liu Jiayu, medalhista de prata em Pyeongchang‑2018, sofreu uma queda violenta após um salto e precisou ser retirada de pista em maca.
O acidente aconteceu nas instalações do Mottolino, palco das provas de freestyle da edição olímpica. Segundo as imagens e relatos do local, Liu Jiayu perdeu o controle na recepção de um salto, impactando primeiro o ombro esquerdo e, em seguida, a região do pescoço e da cabeça. A atleta, que naquele momento ocupava a 13ª posição e lutava por uma vaga na final, permaneceu alguns instantes no gelo antes de ser imobilizada e retirada pelas equipes médicas.
Houve imediata interrupção da prova, numa decisão que traduziu a preocupação com a integridade da competidora e o respeito ao protocolo de segurança. O público presente acompanhou, em silêncio, a retirada de Liu Jiayu e depois aplaudiu o gesto do corpo médico e da própria atleta. Poucos minutos após os atendimentos, a competição foi reiniciada.
Mais do que um episódio isolado, a ocorrência em Livigno reacende discussões antigas sobre os limites do freestyle competitivo moderno — modalidades nas quais a busca por amplitude, rotação e complexidade técnica convive permanentemente com o risco de quedas de alta energia. A trajetória de Liu Jiayu, veterana de pódios olímpicos e figura de referência para o snowboard chinês, deixa claro o preço que a elite do esporte paga para transformar manobras em espetáculo.
O Mottolino, apesar de ser um cenário preparado para eventos internacionais, é também um espaço onde variáveis como condições da neve, vento e pressão competitiva se somam. Em competições de grande porte, as equipes médicas e os organizadores seguem protocolos rígidos, mas a natureza do half‑pipe — combinação de velocidade, altura e força de impacto — mantém um componente de imprevisibilidade que nenhuma prevenção elimina por completo.
Em sua carreira, Liu Jiayu construiu um lugar de destaque no circuito, e sua queda em Livigno provoca não apenas apreensão sobre seu estado de saúde, como reflexão sobre como federações e calendários internacionais equilibram calendário, espetáculo e segurança. Espera‑se agora que os exames complementares tragam informações precisas sobre seu quadro, preservando-se a cautela diante de qualquer lesão na área cervical ou craniana.
Para o público e para o próprio evento, o momento serviu de lembrança: os Jogos Olímpicos são, ao mesmo tempo, vitrine de habilidades extraordinárias e teste sobre como a comunidade esportiva protege seus protagonistas. A corrida por resultados e recordes convive com a responsabilidade de minimizar danos — tarefa que envolve treinadores, preparadores físicos, dirigentes e, claro, a própria consciência dos atletas.
Atualizaremos esta matéria assim que houver informações oficiais sobre o estado de saúde de Liu Jiayu e eventuais comunicados da delegação chinesa e da organização de Milano Cortina 2026.






















