Em um movimento que altera a paisagem da transmissão esportiva em Itália, Mediaset confirmou a aquisição dos direitos free to air das Nitto ATP Finals de ténis para o próximo ciclo plurianual, com início em 2026. A negociação garante à emissora a possibilidade de exibir, em canais e plataformas do grupo, uma seleção de oito dos melhores confrontos do torneio — uma janela significativa para o acesso livre do público italiano a um dos eventos mais seguidos do calendário internacional.
O acordo, comunicado oficialmente por Mediaset, sucede ao período em que a Rai detinha os direitos em aberto até 2025. Segundo fontes vinculadas à transação, a oferta da Mediaset superou a proposta pública, refletindo não só uma estratégia comercial de expansão do portfólio esportivo em sinal aberto, mas também a resposta a um cenário de crescente interesse pelo ténis na Itália, catalisado em parte pelo efeito de figuras como Jannik Sinner.
Importa sublinhar os contornos práticos do pacote: embora o torneio completo continue a ser retransmitido em regime de exclusividade pela Sky em Itália, o pacote em claro contempla a transmissão de um encontro por dia, até perfazer oito partidas selecionadas. Essa solução é uma prática recorrente em direitos partilhados, que concilia receitas de pay-TV com a visibilidade massiva proporcionada pela televisão aberta.
As Nitto ATP Finals deste ano decorrem entre 15 e 22 de novembro na Inalpi Arena de Torino. Na edição anterior, Jannik Sinner consagrou-se campeão ao bater Carlos Alcaraz na final — resultado que, além de um título individual, funcionou como catalisador do interesse público italiano pelo circuito profissional.
Do ponto de vista editorial, a movimentação da Mediaset acena para duas frentes. A primeira é a reconquista de espaço simbólico: assegurar que um evento com alto valor emocional e acessível ao grande público permaneça em sinal aberto. A segunda é a lógica de mercado, onde emissoras generalistas disputam pacotes de prestígio para reforçar audiências e valor publicitário em segmentos de alta procura.
Há também um recorte institucional e cultural. A alternância entre Rai e Mediaset na posse dos direitos reflete, em pequena escala, a disputa mais vasta pela mediação do desporto enquanto bem coletivo — quem transmite molda narrativas, dá visibilidade a protagonistas e participa da construção da memória desportiva nacional.
Para o espectador italiano, a consequência imediata é clara: nos próximos anos haverá acesso gratuito a encontros de alto nível das Nitto ATP Finals, enquanto a cobertura integral permanecerá no universo da televisão por subscrição. Para clubes, agentes e patrocinadores, o movimento altera o equilíbrio de exposição e, potencialmente, as estratégias de ativação comercial durante o torneio.
Em resumo, a entrada da Mediaset no ciclo de direitos a partir de 2026 é mais do que um contrato: é um indicador da transformação do consumo televisivo desportivo em Itália. Não é apenas sobre quem transmite, mas sobre como o ténis — e o desporto em geral — volta a ocupar um lugar público, partilhado e simbolicamente relevante na paisagem mediática do país.






















