Roma – Em uma noite que confirma a natureza imprevisível da Coppa Italia, o Como derrubou o Napoli de Antonio Conte e garantiu vaga nas semifinais ao decidir a classificação nos rigori. A partida, disputada nesta terça-feira, 10 de fevereiro, terminou em 1-1 no tempo regulamentar, com gols de Baturina, de pênalti, e Vergara. Nos pênaltis, o erro de Lobotka foi decisivo para a eliminação dos azzurri.
O resultado tem dimensão esportiva e simbólica. Para o Como, comandado por Cesc Fàbregas, trata-se de um salto de prestígio: a equipe não apenas superou um adversário de maior orçamento e tradição recente, como agora prepara-se para enfrentar a Inter nas semifinais — um desafio que consolida o projeto do clube e expõe a importância da Coppa como palanque para narrativas de afirmação regional.
Do lado napolitano, a eliminação representa uma fratura temporária no ambicioso ciclo iniciado por Conte. A partida mostrou equilíbrio tático e momentos de tensão, mas também evidenciou problemas de contundência ofensiva e de execução nas penalidades — um terreno onde a mentalidade e o histórico pesam tanto quanto a técnica. O erro decisivo de Lobotka nas cobranças, mais do que um episódio isolado, assume contornos de símbolo: em competições de mata-mata, pequenos detalhes decidem trajetórias.
Analiticamente, o confronto reafirma dois vetores que definem o futebol italiano atual. Primeiro, a Coppa continua sendo campo fértil para surpresas e para o fortalecimento de identidades esportivas locais; segundo, a irregularidade em torneios curtos pode testar rapidamente a coesão dos elencos, independentemente do calibre dos investimentos. O triunfo do Como é, assim, tanto uma vitória tática quanto um gesto de narrativa: clubes menores podem, com gestão e liderança claras, transformar episódios isolados em marcos coletivos.
Para os torcedores do Napoli, resta a análise fria da temporada e a reordenação de prioridades: recuperar fôlego no campeonato e ajustar a sequência de jogos serão imperativos. Para o Como, a próxima parada — a semifinal contra a Inter — representa uma prova de fogo e uma oportunidade de consolidar um projeto que atrai atenção além do seu território.
Como repórter e analista, vejo nesta partida a confirmação de uma qualidade do futebol italiano que resiste às transformações econômicas e midiáticas: sua capacidade de produzir narrativas coletivas e simbólicas. A Coppa Italia lembra, em cada eliminação inesperada, que o esporte segue sendo também um espelho das cidades e comunidades que o tornam possível.
Ficha resumida: Quartas de final da Coppa Italia — Como elimina Napoli nos rigori após empate por 1-1 (gols de Baturina de pênalti e Vergara); cobrança decisiva perdida por Lobotka. Como avança para enfrentar a Inter na semifinal.
Otávio Marchesini
Repórter de Esportes — Espresso Italia





















