Continua a fase complicada de Flavio Cobolli. O tenista italiano viu-se eliminado já no primeiro turno do ATP de Dallas, superado pelo britânico Jack Pinnington Jones (n.º 181 do mundo e vindo do qualifying) por 6-2, 6-2, em apenas 54 minutos de partida. Foi uma vitória seca do adversário e mais um capítulo de um começo de 2026 sem triunfos para o romano.
Com a derrota no Texas, Cobolli acumula três derrotas em três torneios disputados nesta temporada — um balanço que contrasta com as expectativas criadas durante a preparação. Atualmente no vigésimo posto do ranking ATP, o italiano vinha de um desgaste físico e psicológico evidente desde o Australian Open, quando deixou a Austrália após perder em cinco sets para o também britânico Arthur Fery (7-6(1), 6-4, 6-1), partida em que o português relatou problemas intestinais já desde o primeiro ponto.
No meio dessa sequência, o dérbi italiano em Montpellier terminou também em revés: Luca Nardi venceu por 6-2, 6-3, impondo outro resultado que reforça a ideia de um início de temporada abaixo do esperado. Em retrospectiva, chama atenção o contraste entre a offseason de Cobolli — onde treinou com o campeão de Melbourne, Carlos Alcaraz — e a incapacidade de transformar esse trabalho em desempenho competitivo nas primeiras semanas do ano.
Como analista, é preciso separar sintomas e causas. Os sintomas são claros: quedas de rendimento em pontos-chave, partidas com quebras de concentração e resultados curtos em sets. As causas potenciais requerem cuidado para não descambar para conjecturas gratuitas: a combinação de problemas físicos, desgaste mental após lesões ou desconfortos, ajustes técnicos ainda em curso, e a pressão de consolidar-se entre os 20 melhores do mundo são fatores plausíveis e interligados.
Há também uma dimensão estrutural e cultural a considerar. A trajetória de um jovem talento no circuito moderno passa por ciclos de aclimatação a diferentes superfícies, à intensidade das viagens e à necessidade de gerir expectativas — pessoais, de patrocinadores e de uma imprensa que acompanha com lupa. Para Cobolli, a virada de chave costuma exigir não apenas treino físico, mas uma reavaliação de calendário, programas de recuperação e estabilidade emocional que transformem meses ruins em aprendizagem sustentável.
O calendário à frente poderá oferecer oportunidades para retomar a confiança: torneios com condições menos aceleradas, sets melhor distribuídos e, sobretudo, tempo para ajustes táticos. O papel da equipe técnica será central para reconstruir a consistência: trabalhar pequenos detalhes que evitem derrotas rápidas, e permitir que o jogo de Flavio reapareça com a clareza que levou ao seu ingresso no top-20.
A eliminação em Dallas é um sinal de alerta, não um veredito definitivo. A temporada ainda é longa, mas o tempo e as partidas exigem respostas rápidas e precisas. Como observador, interessa-me mais compreender como Cobolli irá transformar esta fase em elemento de construção — ou se, ao contrário, veremos um prolongamento de uma crise que já acumula três derrotas seguidas.






















