Em uma manhã que promete entrar na memória do esqui alpino italiano, as principais cartas de aposta das Azzurre chegam à lendária pista Olympia delle Tofane, em Cortina, com a missão explícita de conquistar o ouro em SuperG nas Olimpíadas de Milano-Cortina 2026. A expectativa está concentrada em duas figuras que traduzem, cada uma a seu modo, a continuidade e a renovação de uma tradição: Sofia Goggia e Federica Brignone.
Segundo as cotações apontadas pelo mercado (Sisal.it), Sofia Goggia surge como a atleta a ser batida, cotada a 4,00. Aos 33 anos, a bergamasca carrega no currículo oito vitórias em SuperG e três triunfos em Cortina — estes últimos porém obtidos em descida livre — e já conquistou o bronze em descida nesta edição dos Jogos. A sua biografia recente e os números das últimas temporadas a colocam em posição de favorita: faltaria apenas o ouro olímpico para completar um palmarés que inclui títulos e vitórias de alto valor simbólico.
Em oposição e complemento, Federica Brignone chega ao cancelletto como ameaça concreta, apesar do susto recente causado por uma lesão que chegou a colocar em dúvida sua participação. A atleta de La Salle — vencedora de duas Taças do Mundo gerais e de cinco taças de disciplina, uma delas em SuperG, além de dois títulos mundiais — aparece com cotação a 6,00 e alimenta o sonho de encerrar sua trajetória olímpica com o metal mais precioso diante do público italiano. Não é casual lembrar que Brignone já venceu em SuperG há exatamente um ano neste mesmo palco.
Entre as favoritas, há também nomes estrangeiros e jovens de alta expressão. A alemã Emma Aicher, prata na descida há poucos dias e com apenas 22 anos, chega motivada: venceu duas vezes em SuperG na Itália (La Thuile e Tarvisio) e mostra forma competitiva consistente — condição que a coloca como candidata séria. A austríaca Ariane Radler figura nas projeções com cotação a 9,00 e completa o quadro de atletas capazes de disputar o alto do pódio.
Entre as surpresas plausíveis, é necessário observar Laura Pirovano: menos badalada que suas companheiras, mas dotada de explosão e experiência suficientes para transformar uma boa trajetória em resultado inesperado. Uma vitória de Pirovano renderia 12 vezes a aposta, segundo as cotações.
Há, por trás das cotações e dos resultados imediatos, um valor simbólico evidente: a Itália tenta reescrever sua história no SuperG olímpico, uma façanha que até aqui, no relato recente citado pelos especialistas, foi alcançada por nomes históricos como Deborah Compagnoni (1992) e Daniela Ceccarelli (2002). Mais que medalhas, o que está em jogo é a afirmação de gerações — e a capacidade de converter tradição em presença contemporânea no esporte de alto rendimento.
Na análise final, o que veremos em Cortina não é apenas uma corrida contra o cronômetro, mas um episódio de construção de memória esportiva: a pista vai testar técnica, nervos e a capacidade de as atletas transformarem expectativa em gesto decisivo. Goggia e Brignone entram como as líderes naturais desta narrativa, mas o SuperG é, por definição, terreno de surpresas.






















