Por Aurora Bellini, para Espresso Italia
Uma regulação clara e bem desenhada pode iluminar caminhos de crescimento e tornar a sustentabilidade um fator decisivo de competitividade. É a visão de Barbara Terenghi, diretora de Sustentabilidade da Edison, em entrevista à Espresso Italia, na qual analisa como o enquadramento normativo europeu pode apoiar o sistema empresarial italiano, em especial nas frentes de ESG e de criação de valor de longo prazo.
Segundo Terenghi, as empresas enfrentam hoje uma profunda transformação econômica, ambiental e social, em que a sustentabilidade deixou de ser um tema acessório para se tornar um elemento estrutural dos modelos de produção e consumo. “A principal missão é integrar objetivos ambientais, sociais e de governança nas estratégias industriais e financeiras, tornando-os coerentes com as demandas de crescimento, inovação e geração de valor no longo prazo” — afirma a diretora.
Essa transição para modelos produtivos mais sustentáveis exige investimentos relevantes, atualização de competências e uma visão sistêmica dos riscos e oportunidades — desde as mudanças climáticas até a segurança nos fornecimentos e a proteção das pessoas ao longo da cadeia de valor. Nesse cenário, o quadro normativo europeu surge como uma lâmpada orientadora para as empresas, favorecendo previsibilidade e comparabilidade.
Terenghi destaca iniciativas como o pacote Omnibus I, que busca simplificar a arquitetura regulatória e introduzir maior proporcionalidade nas obrigações de relato, sem perder de vista a transparência e a confiabilidade das informações. Em particular, a redução do perímetro de aplicação da CSRD — que exclui muitas pequenas e médias empresas — concentra os deveres nas grandes companhias, evitando impor obrigações excessivas a atores com menor capacidade organizacional.
No entanto, ressalta a executiva, há efeitos indiretos a considerar: empresas obrigadas a reportar precisam também prestar contas sobre os impactos ao longo da cadeia de valor, mesmo quando parte crescente dos seus fornecedores não está sujeita aos mesmos deveres. “O Omnibus I introduz salvaguardas processuais, como a possibilidade de explicar dificuldades na obtenção de dados, mas não elimina completamente a tensão entre a extensão dos requisitos de relato e a disponibilidade efetiva de informação a montante da cadeia” — observa Terenghi.
Para as empresas italianas, um quadro normativo europeu mais harmonizado e claro pode traduzir-se em maior credibilidade perante mercados financeiros e investidores, além de reduzir a complexidade do reporting. Isso possibilita que recursos e competências sejam direcionados à execução concreta das estratégias de sustentabilidade, em vez de se diluírem em demandas burocráticas.
Em tom pragmático e esperançoso, Terenghi sugere que a melhor regulação é aquela que não só define obrigações, mas também habilita — criando condições para inovação, atração de capital e resiliência frente a choques. É um convite para que empresas, reguladores e investidores semeiem juntos um horizonte límpido, onde a governança responsável e a proteção do planeta sejam alavancas reais de competitividade.
Ao final, a mensagem é clara: com regras bem calibradas, a transição pode ser ordenada e inclusiva, permitindo que o setor produtivo italiano converta desafios em oportunidades e abra novos caminhos de prosperidade sustentável.






















