Por Marco Severini, Espresso Italia — Com objetivo preciso e ritmo ditado pela urgência diplomática, o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu embarcou ontem no avião conhecido como “Asas de Sião” rumo a Washington. É o sétimo encontro pessoal com o presidente Donald Trump desde o retorno deste à Casa Branca, um movimento calculado para influenciar a posição norte‑americana nas negociações indiretas com o Irã.
Na perspectiva de Netanyahu, o risco não se limita ao programa nuclear: as linhas vermelhas incluem o desenvolvimento de mísseis balísticos, o financiamento e apoio de Teerã a aliados regionais — em especial Hamas e Hezbollah — e a eventual assinatura de um acordo aquém das reais garantias de segurança. O intento declarado é evitar um pacto “leve” centrado apenas no enriquecimento de urânio.
Ao se apresentar na Sala Oval, o primeiro‑ministro deve pressionar por condições claras: zero de enriquecimento de urânio em solo iraniano, retirada das reservas já enriquecidas, restabelecimento e ampliação das inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e mecanismos robustos de verificação. No front dos mísseis, a exigência inclui limites tanto de alcance quanto de quantidade e a exigência de ruptura com redes de influência que consolidam um “eixo” hostil na região.
A delegação israelense é propositalmente reduzida e tecnocrática: acompanham Netanyahu o secretário militar Roman Goffman, o assessor interino de Segurança Nacional Gil Reich, o conselheiro político Ophir Falk e o empresário Michael Eisenberg, representante israelense no Centro de Coordenação Civil‑Militar de Kiryat Gat, ponto sensível nos contatos sobre Gaza. Ausentes estão o chefe de gabinete Tzachi Braverman — temporariamente afastado por suspeitas no caso Bibileaks — e altos nomes da Defesa. Uma proposta anterior de levar Omer Tishler, futuro comandante da Força Aérea e elo com o Pentágono, foi abandonada.
Antes de decolar, Netanyahu destacou a recorrência das viagens: sete deslocamentos aos Estados Unidos desde a retomada de Trump, o que, nas suas palavras, reflete uma “proximidade única” entre Jerusalém e Washington — declaração que, além de afagar a aliança, serve a um cálculo político interno com vistas às eleições de outono em Israel.
Ao contrário das práticas habituais, o encontro está marcado para ocorrer a portas fechadas — previsto para as 11h locais (17h em Roma). Sem coletiva, sem declarações públicas, a escolha pela discrição parece ter sido orientada pela Casa Branca: uma cortina opaca que, estrategicamente, minimiza o efeito de possíveis dissensos sobre a natureza de um eventual acordo com Teerã. O adiantamento da audiência — originalmente programada para a semana seguinte —, segundo veículos de imprensa, foi solicitado pelo próprio líder israelense, sinal de uma jogada acelerada no tabuleiro diplomático.
Analiticamente, trata‑se de um movimento clássico de pressão: posiciona‑se uma peça-chave diante do rei para influenciar a leitura estratégica do adversário e obter garantias que permitam preservar os alicerces da segurança regional. A mensagem de Netanyahu combina argumentos técnicos (controle de urânio, inspeções, limites balísticos) com cálculos políticos — tanto domésticos quanto no relacionamento bilateral com Washington. Resta ver se o movimento produzirá o efeito desejado no xadrez da Grande Diplomacia, ou se abrirá vetores de fricção que redesenharão linhas de influência no Oriente Médio.






















