Em um início de pregão marcado pela contenção, as Bolsas europeias abriram próximas da paridade, com pouca variabilidade enquanto o mercado aguarda os dados do mercado de trabalho americano — indicadores observados de perto pela Federal Reserve. Milão registra um desempenho marginalmente positivo, com o índice apenas acima de +0,04%.
O sentimento global é de prudência: a aceleração das tendências econômicas permanece condicionada ao veredito que virá dos números de emprego nos EUA, capazes de ajustar a calibragem de juros esperada pelo banco central. Em linguagem de engenharia financeira, o mercado aguarda o ajuste fino do “sistema de injeção” de liquidez que a Fed pode manter ou refrear.
Na Ásia, o panorama foi mais misto, porém com inclinação positiva em vários centros. Tóquio ficou fechada por feriado, interrompendo uma sequência de ganhos recentes. A liderança regional ficou com Sydney, que encerrou o dia em alta de +1,66%, beneficiada por uma temporada de resultados anuais robusta para um índice fortemente exposto a companhias mineradoras e brokers de commodities.
Por outro lado, Hong Kong e as bolsas da China continental adotaram postura mais cautelosa após a divulgação de dados de inflação fracos. A inflação ao consumidor na China caiu para +0,2% em janeiro em termos anuais, ante +0,8% em dezembro. Trata-se de recuo em linha com expectativas, em parte explicado pelo deslocamento temporal do boom de consumo associado ao Ano-Novo Lunar — que transferiu compras para fevereiro —, mas o número também revela uma dinâmica de preços ainda tênue.
Essa baixa inflação sustenta a leitura de que a tão aguardada aceleração do consumo doméstico chinês, peça-chave para o reposicionamento do país no tabuleiro das cadeias globais, continua insuficiente. Para investidores e estrategistas, é um lembrete de que o motor da economia chinês não voltou a plena potência, o que pesa sobre commodities e setores ligados ao comércio exterior.
No cenário mais amplo, os mercados globais se equilibram entre a busca por sinais de retomada cíclica e a necessidade de avaliar sinais monetários. Os dados de emprego dos EUA são, em nosso entendimento, o principal gatilho de curtíssimo prazo: um número mais forte pode acelerar a alta das taxas de juros implícitas e atuar como um freio para ativos de risco; um resultado mais fraco reforça expectativas de estímulo ou manutenção de condições mais brandas.
Como estrategista, observo que a volatilidade deverá aumentar em torno da publicação dos dados, influenciando simultaneamente taxa de câmbio, rendimentos dos títulos e rotação setorial — especialmente entre bancos, tecnologia, energia e mineração. Em termos de portfólio, trata-se de calibrar exposição às commodities, vigiar títulos de renda fixa e manter liquidez para aproveitar janelas de entrada, quando a “aceleração de tendências” se tornar mais clara.
Em resumo, o dia é de prudência: mercados europeus quase estáticos, Ásia com sinais mistos e China mostrando que a recuperação do consumo permanece um trabalho em andamento. O pulso do mercado global aguarda o próximo compasso — os dados de emprego americanos — que funcionam hoje como o termômetro mais imediato para a direção do ciclo e para ajustes na política monetária.






















