Por Chiara Lombardi — O Festival di Sanremo volta a ser um espelho que reflete não só a música, mas as tensões e as escolhas simbólicas do nosso tempo. O diretor artístico Carlo Conti anunciou que a supermodelo e atriz russa Irina Shayk será co-condutora da noite de quinta-feira ao lado de Conti e da cantora Laura Pausini. A confirmação, feita via vídeo nas redes sociais por Conti, preenche a vaga deixada por Andrea Pucci, que havia se retirado em meio a polêmicas por comentários considerados racistas e homofóbicos.
Conti descreveu Irina Shayk como “uma das mulheres mais bonitas do mundo, uma modelo extraordinária e uma atriz talentosa”, e declarou estar ansioso para recebê-la — será, segundo ele, a primeira aparição televisiva da modelo na Itália. A notícia transforma a escala de glamour do festival e reabre o debate sobre o que a presença de uma figura internacional traz ao palco além do brilho: um reframe cultural, onde a imagem e a representação política se entrelaçam.
Enquanto a escalação oficial segue, continuam os palpites sobre outros nomes que poderão marcar presença no Ariston. Já estão confirmados Tiziano Ferro na noite de abertura (24 de fevereiro), o ator que interpretará Sandokan Can Yaman, o provocador Achille Lauro e o humorista Lillo. A imprensa italiana insiste também no nome da atriz Pilar Fogliati, e não perde a esperança de ver o retorno do cantor Eros Ramazzotti ao palco sanremense.
A saída de Andrea Pucci, que gerou repercussão inclusive no campo político, segue sem comentários aprofundados por parte do diretor artístico. Em entrevista à Vanity Fair, Carlo Conti limitou-se a dizer: “No momento prefiro não entrar no mérito do que aconteceu”. Essa escolha pela contenção é, por si só, um gesto que fala: em um festival que é ao mesmo tempo espetáculo e arena pública, o silêncio oficial pode funcionar como cortina ou como pausa estratégica.
Do ponto de vista semiótico, a substituição de um nome marcado por controvérsia por uma figura de projeção internacional como Irina Shayk tem o efeito de reposicionar a narrativa do festival. Não se trata apenas de apagar um incidente: é uma aposta na imagem global como ponto de equilíbrio. O Ariston, nesse ato, age como um roteiro oculto da sociedade, onde escolhas estéticas traduzem prioridades simbólicas.
Resta observar como essa formação — Conti, Pausini e Shayk — dialogará no palco entre música, presença televisiva e responsabilidade pública. Sanremo continua sendo, assim, mais do que um concurso musical: é um cenário de transformação, onde cada convidado e cada silêncio contam uma história sobre quem queremos ser como audiência e como cultura.
Atualizado em 10 de fevereiro de 2026.






















