Milano Cortina ofereceu nesta segunda-feira uma amostra do que será a definição do título olímpico na dança sobre gelo. A dupla italiana formada por Charlene Guignard e Marco Fabbri encerrou o programa curto, a Rhythm Dance, na quinta posição, com 84.28 pontos, mantendo-se, porém, em condição de lutar por uma possível medalha na prova.
À frente do grupo permaneceram os favoritos: a dupla francesa Laurence Fournier Beaudry e Guillaume Cizeron liderou com 90.18 pontos, seguida muito de perto pelos norte-americanos Madison Chock e Evan Bates (89.72). Em terceiro e quarto lugar vieram as formações de Piper Gilles e Paul Poirier (Canadá, 86.18) e Lilah Fear e Lewis Gibson (Grã-Bretanha, 85.47).
A apresentação de Guignard e Fabbri, ambientada ao som dos Backstreet Boys, encontrou rápida e calorosa resposta da plateia da Milano Ice Skating Arena. O equilíbrio entre técnica e espetáculo — elemento cada vez mais determinante nas competições contemporâneas — foi apreciado pelo público, embora os árbitros tenham lançado notas que colocaram a dupla italiana em posição de perseguição.
Do ponto de vista competitivo, os números traduzem um quadro claro: as duplas francesa e americana entram na Free Dance, marcada para a próxima quarta-feira, com vantagem pontual que as coloca como principais candidatas ao pódio. Ainda assim, a natureza fragmentada da pontuação no gelo e a proximidade entre os quatro primeiros classificadas permitem manter a expectativa aberta para reviravoltas.
Como analista e repórter que acompanha o esporte como fenômeno cultural, cabe sublinhar que a performance de Guignard e Fabbri ganha significado além do resultado. Competir em solo italiano, sob o olhar de uma torcida engajada, reacende narrativas de identidade esportiva: o patinagem artística nacional volta a afirmar presença e ambição em um palco continental e global. A escolha musical — popular e comunicativa — é também um gesto de relação com o público, que em grandes eventos desempenha papel ativo na construção da memória coletiva.
Restam, portanto, dois dias até a Free Dance, quando se decidirá a distribuição das medalhas. Técnicos e pares terão de calibrar elementos de risco e envolvimento dramático: quem conseguir aliar execução limpa a capacidade de marcar emocionalmente os juízes e a plateia, provavelmente, subirá ao pódio. Para Guignard e Fabbri, a missão é clara — transformar a sintonia com a torcida em pontuação técnica suficiente para avançar no ranking.
Acompanhar a evolução dessa disputa é também observar como o patinagem artístico contemporâneo negocia tradição e espetáculo, técnica e narrativa. Em Milano Cortina, essa negociação está em plena exibição.
Otávio Marchesini – Repórter de Esportes, Espresso Italia






















