Milano Cortina, 10 de fevereiro de 2026 — A Itália acrescentou um novo capítulo à sua história nos Jogos com a vitória da staffetta mista do short track, garantindo o segundo ouro nacional em Milano Cortina. A equipe composta por Arianna Fontana, Elisa Confortola, Thomas Nadalini e Pietro Sighel cruzou a linha em 2’39″02, superando o Canadá (2’39″258) e o Bélgica (2’39″353).
A conquista assume contornos que vão além do pódio imediato. A mesma formação havia sido prata em Pequim 2022 — um resultado que, mais do que um sinal de qualidade técnica, demonstrou a progressão do projeto italiano no short track coletivo. Hoje, a Itália converteu experiência e planejamento em ouro, derrotando seleções historicamente fortes e obrigando a China — campeã em Pequim — a ficar fora do pódio.
Em termos simbólicos, a presença de Arianna Fontana na equipe confere ao feito um peso adicional. Fontana, uma referência do esporte nacional, atua não apenas como atleta, mas como elemento de coesão e memória esportiva: sua carreira é lida pelos italianos como um fio que liga gerações de patinadores e consolida o short track no imaginário coletivo do inverno no país.
Ao mesmo tempo, nomes como Pietro Sighel e Thomas Nadalini representam a renovação técnica e geracional. A combinação entre veterania e sangue novo é, muitas vezes, o diferencial em provas onde as margens se decidem por centésimos e pela disciplina tática. A estafeta, mais do que uma soma de etapas, é um exercício de sincronia estratégica — acelerações planejadas, trocas sem risco e leitura permanente das adversárias.
Do ponto de vista institucional, o ouro reforça a validade de investimentos direcionados à formação e à continuidade de equipes mistas, modalidade que enfatiza igualdade e cooperação entre gêneros — um aspecto que ressoa com discursos contemporâneos sobre esporte e sociedade. A vitória em Milano Cortina tende a estimular atenção e recursos para infraestrutura e programas de base, elementos cruciais para transformar resultados pontuais em tradição perene.
Na pista, a decisão foi disputada e tensa: a diferença entre as três primeiras foi medida em frações, testando nervos e técnica. O Canadá, segundo colocado, confirmou sua regularidade; o Bélgica, ao subir ao terceiro degrau, assinalou a consolidação de uma candidatura que não deve ser subestimada nos próximos ciclos.
Mais que um ouro, a prova de hoje é um retrato das forças em trânsito no short track global — velhos centros desafiados por novas propostas e países que traduzem investimento em performance. Para a Itália, fica a reafirmação de um projeto esportivo que soube equilibrar herança e inovação.
Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia






















