Val di Fiemme — A tentativa olímpica da Itália na prova de fondo sprint em técnica clássica, válida pelos Jogos de Milano Cortina 2026, terminou antes da disputa por medalhas. Na tarde de 10 de fevereiro, nas pistas históricas de Val di Fiemme, nenhum dos cinco representantes italianos conseguiu avançar para as finais, encerrando prematuramente as aspirações nacionais na disciplina.
Nas eliminatórias femininas, foram eliminadas Caterina Ganz e Federica Cassol. Entre os homens, caíram nas semifinais Simone Daprà e Davide Mocellini. O caso mais emblemático foi o de Federico Pellegrino, porta‑bandeira da delegação italiana: apesar de terminar em terceiro lugar na sua bateria, o tempo não foi suficiente para garantir um lugar entre os classificados — Pellegrino ficou, nos números finais, como o primeiro dos excluídos.
O resultado reconfigura, ainda que de forma pontual, a narrativa do esqui cross‑country italiano em uma edição dos Jogos disputada em casa. Historicamente, o país teve momentos de brilho na modalidade, com atletas capazes de transformar percursos gelados em palco de afirmação regional e nacional. Hoje, porém, a combinação entre forma física, tática de bateria e a dureza de um circuito desenhado para seleções tradicionalmente fortes revelou um hiato entre expectativa e desempenho.
As finais femininas reunirão três suecas, duas norueguesas e uma norte‑americana; no masculino, entre os candidatos ao pódio, destacam‑se três noruegueses — com o sempre cotado Johannes Klæbo — além de um checo, um estadunidense e um finlandês. Esse quadro confirma a predominância nórdica e a competitividade internacional que tornam o sprint clássico uma prova de margens ínfimas e alta imprevisibilidade.
Do ponto de vista técnico e organizacional, uma eliminação coletiva dos atletas locais força uma leitura mais ampla: a performance esportiva, sobretudo em eventos de elite, é fruto de programas de formação, calendário de provas, gestão de cargas e também do peso simbólico de competir em casa. Para a equipe italiana, esta queda nas semifinais deve ser analisada não como fim, mas como diagnóstico — um convite a avaliar preparação física, estratégia de baterias e decisões de altimetria técnica adotadas nos meses que antecederam os Jogos.
Como repórter e analista atento às camadas culturais do esporte, vejo neste episódio uma oportunidade para debate público. Estádios e pistas olímpicas não servem apenas para coroar vencedores: são espelhos das estruturas que sustentam (ou fragilizam) um país em suas ambições esportivas. A eliminação dos azzurri em Val di Fiemme é, portanto, um alerta técnico e institucional — e também um capítulo a ser reescrito nas próximas corridas.






















