Milano Cortina ganhou nesta terça-feira uma página inesperada no trampolino de Predazzo: a Slovênia levou a medalha de ouro na prova de salto a squadre mista, em uma competição que expôs tanto a profundidade das pequenas potências do salto quanto as fragilidades temporárias das grandes favoritas.
A prova, realizada no complexo de salto da Val di Fiemme, terminou com a Noruega em segundo lugar e o Japão completando o pódio com o bronze. Surpreendentemente, as equipes tradicionalmente mais cotadas — Alemanha e Áustria — ficaram fora das medalhas, reafirmando que, no salto, a combinação entre técnica, nervos e condições de vento pode redefinir hierarquias em questão de saltos.
Para a audiência italiana, a noite teve tom de frustração: a seleção da Itália, composta por Annika Sieff, Alex Insam, Martina Zanitzer e Giovanni Bresadola, não avançou entre os oito melhores e, com isso, ficou fora da final. O resultado coloca em evidência um problema mais amplo que atravessa modalidades técnicas no país: a competitividade individual nem sempre se traduz em profundidade coletiva quando confrontada com programas nacionais pequenos, porém consistentes, como o esloveno.
O formato misto — que reúne saltadores e saltadoras em uma mesma equipe — é hoje um teste interessante para as federações. Exige equilíbrio entre categorias, investimentos em formação feminina e um planejamento que não privilegie apenas estrelas isoladas. A vitória da Slovênia é, nesse sentido, um atestado da capacidade de construir elenco e de otimizar a rotina de saltos em condições variáveis, algo que costuma fazer diferença em eventos de palco olímpico como Milano Cortina.
Do ponto de vista histórico e cultural, o triunfo esloveno reafirma uma dinâmica europeia onde estados menores, quando apostam com coerência em centros de formação e em treinadores especializados, conseguem disputar e superar potências tradicionais. Para a Itália, anfitriã dos Jogos, a eliminação em casa evidencia a necessidade de repensar calendários de preparação e estruturas regionais — sobretudo no Nordeste, onde Predazzo e a Val di Fiemme representam um patrimônio esportivo e simbólico que deveria refletir-se em desempenho internacional.
Ao final, a competição em Predazzo não foi apenas uma sequência de saltos e medalhas: foi uma leitura sobre prioridades e projetos de longo prazo no salto com esqui europeu. A Slovênia saiu com ouro e com a confirmação de um modelo que, por ora, reconciliou técnica e regularidade. A Noruega e o Japão mantiveram a tradição de excelência. E restou à Itália a obrigação de converter o calor da torcida e a visibilidade do evento em reformas concretas para o futuro.






















