Por Giuseppe Borgo — Em um documento de 56 artigos registrado em cartório, surge formalmente o novo movimento político liderado pelo ex-comandante da Brigata Folgore e ex-vice-secretário da Lega: Futuro Nazionale con Roberto Vannacci. O estatuto — arquivado em 7 de fevereiro no escritório do notário Marzio Villari, em Serravezza — detalha objetivos, valores e prioridades que o fundador pretende converter em programa e ação pública.
O Artigo 1, intitulado “Denominazione e finalità”, apresenta as metas iniciais: promover a participação popular na vida política italiana e apoiar propostas dirigidas a garantir a sicurezza interna ed esterna, a difesa dei confini, a famiglia naturale e a proteção da vita. O texto não se limita a enunciar posições simbólicas: inclui também medidas económicas e sociais, como a valorização da qualità del lavoro, a adequação dos salários, melhores condições para as empresas, redução da carga fiscal e a melhoria das condições habitacionais, com ênfase na justiça na distribuição de habitação pública.
No rol de identidade e inspiração política, o estatuto do movimento — que adota o acrônimo FNV — aponta raízes claras: “identidade tradicional italiana” ancorada no direito romano, no pensamento grego, no heroísmo romano e cavalleresco e na síntese legada pela civilização cristã. Trata-se de uma narrativa que recupera a ideia da Patria delle piccole patrie, ressaltando as especificidades locais — dos campanili às regiões — como componentes essenciais da nação.
Entre os compromissos proclamados pelo fundador, aparecem a defesa inegociável da saúde pública, do trabalho, dos alojamentos de edilícia residenziale pubblica, das Forças Armate e das Forze dell’Ordine, junto com a ênfase na proteção da famiglia naturale, formata da un uomo e da una donna. O documento também reserva espaço para a rejeição explícita de correntes culturais e políticas que o movimento considera ameaças ao tecido social: combate a projetos de criação de um novo senso comum baseados em ideologia gender, ideologia woke, cancel culture e o que denomina “immigrazionismo”.
Ao ler o estatuto, percebe-se uma intenção estratégica: erigir uma plataforma que seja simultaneamente conservadora em valores e pragmática em propostas socioeconômicas. Vannacci formula, nas palavras do texto, a necessidade de defender “a spada tratta” as raízes do país, a coesão valorial e cultural, e os confins do território nacional — posicionamentos que, segundo o estatuto, definem também os critérios de pertença cidadã, que não deveriam se reduzir ao mero cumprimento formal da lei ou ao ciclo das burocracias públicas.
Como correspondente atento ao impacto das decisões de Roma na vida concreta das pessoas, observo que o estatuto funciona como um plano de obra: apresenta alicerces, moldes e prioridades, mas será na execução — nas propostas legislativas, nas alianças e na capacidade de traduzir palavras em políticas públicas — que se verá se essa edificação resiste às exigências administrativas e sociais do país.
O lançamento formal do Futuro Nazionale con Roberto Vannacci marca, portanto, mais do que uma nova sigla: constitui um apelo organizado à reconstrução de uma narrativa identitária e de políticas públicas específicas. Cabe agora aos eleitores, aos atores institucionais e aos observadores acompanhar como esses princípios serão transformados em ações e como vão dialogar ou colidir com o panorama político nacional.






















