Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Napoli viveu, na terça-feira, 10 de fevereiro, um pequeno sobressalto médico que diz muito sobre prioridades esportivas e gestão de elenco. O meio-campista escocês Scott McTominay não foi convocado por Antonio Conte para o quarto de final da Coppa Italia contra o Como, no Maradona. A ausência, por trás da qual não havia uma questão tática, decorre de um problema físico conhecido: a recidiva de uma tendinopatia que voltou a incomodar o jogador na partida contra o Genoa em Marassi.
Naquela partida do campeonato, que terminou 3-2 a favor dos azzurri, McTominay deixou claro o seu valor ao marcar o segundo gol da equipe. Ainda assim, no início do segundo tempo, o escocês precisou ser substituído—entrou Giovane em seu lugar—e a partir daí emergiram dúvidas sobre sua disponibilidade a curto prazo. O retorno da dor e do desconforto levou a comissão técnica a adotar uma postura prudente: o jogador nem sequer foi levado ao banco de reservas para o duelo no estádio que simboliza a identidade contemporânea do clube.
Essa decisão de Conte é sintomática de uma abordagem que privilegia a gestão de ativo humano. Em clubes de alto nível, especialmente aqueles com calendário denso entre campeonato, copas e competições europeias, a leitura clínica e a prevenção de recidivas fazem parte do planejamento competitivo. A tendinopatia, condição muitas vezes crônica em atletas, exige manejo cuidadoso: repouso relativo, fisioterapia específica e, em casos, programas de reabilitação que evitam episódios repetidos que podem comprometer meses de trabalho.
Para o Napoli, que se afirma como uma entidade que disputa títulos e precisa gerenciar expectativas de cidade e torcida, o episódio abre duas frentes de análise. A primeira é médica: compreender se a recidiva é um sinal de fragilidade latente, uma consequência do volume de jogos ou apenas um episódio isolado que se resolve em poucos dias. A segunda é esportiva e estratégica: como otimizar o elenco quando um jogador de profilaxia e combate como McTominay apresenta intermitências físicas?
Há, ainda, uma dimensão simbólica. Em uma sociedade onde o futebol funciona como espelho de organização e resiliência coletiva, decisões médicas dentro de clubes grandes reverberam. Preservar um atleta hoje é também preservar um investimento esportivo e cultural para o clube e para os torcedores. Assim, a ausência de McTominay no confronto contra o Como deve ser lida não apenas como perda momentânea, mas como escolha calculada para os desafios vindouros.
Do ponto de vista prático, resta acompanhar a evolução clínica do jogador e os diagnósticos que o departamento médico do Napoli venha a divulgar. A temporada é longa; episódios de tendinopatia, se bem tratados, podem ser mitigados. Para Conte, a opção por não arriscar o meio-campista no Maradona sinaliza prudência e visão de longo prazo — uma escolha que combina sensibilidade médica com gerenciamento de objetivos esportivos.
Enquanto isso, o clube segue com as competições em curso e a torcida aguarda desdobramentos sobre o retorno do escocês que, até aqui, provou ter importância tática e física no xadrez napolitano.






















