Safer Internet Day 2026 e a décima edição da Global Online Safety Survey da Microsoft oferecem um retrato técnico e sóbrio da saúde digital: os alicerces da navegação cotidiana estão sendo redesenhados pela velocidade da inteligência artificial, e isso altera tanto o comportamento dos usuários quanto a arquitetura das proteções necessárias.
A pesquisa, aplicada a cerca de 15.000 pessoas em 15 países, revela que 57% dos entrevistados na Itália já enfrentaram algum tipo de ameaça online. No plano global, as ameaças mais prevalentes são o discurso de ódio (35%), seguido por fraudes (29%) e exposição a imagens violentas (27%). Esses números apontam para um ecossistema em que o fluxo de dados e a camada de inteligência gerativa reorganizam os vetores de risco.
Um sinal positivo surge entre os mais jovens: 74% dos adolescentes declaram manter diálogo frequente com os pais sobre perigos digitais e relatam prontamente incidentes ou tentativas de aliciamento. Em termos de comportamento, isso indica uma resiliência preventiva nas camadas mais novas do sistema nervoso social.
No contexto italiano, a percepção de vulnerabilidade é ainda mais acentuada. Embora o discurso de ódio seja o risco mais citado (26%), as maiores preocupações dos usuários concentram-se em fraudes online (38%) e ciberbullying (33%). A solicitação de natureza sexual e a divulgação não consensual de imagens íntimas aparecem como ameaças prioritárias para 22% dos entrevistados.
O elemento que reconfigura esse cenário é a popularização da inteligência artificial generativa: 38% dos usuários globais já convivem com ferramentas desse tipo no dia a dia. Porém, a confiança na capacidade de identificar deepfakes experimentou um colapso — de 46% para 25% em apenas um ano — expondo uma fragilidade clara nas defesas cognitivas dos navegadores.
Em solo italiano, a apreensão frente ao uso indevido da IA atinge 93% dos entrevistados. As preocupações são práticas e sistêmicas: a criação de abusos online automatizados e a geração de golpes altamente realistas preocupam amplamente, e mais da metade dos usuários já suspeitou que uma operação fraudulenta contra si envolvia ferramentas de IA.
Como resposta, 61% dos italianos pedem medidas mais rígidas às plataformas de redes sociais para remoção de conteúdos ilegais. Além da regulação, a pesquisa aponta a educação como pilar estratégico. A Microsoft lançou recursos formativos, como o jogo educativo Cibersafe: Bad Connection? dentro do Minecraft Education, voltado a instruir menores sobre aliciamento e radicalização.
Para famílias, a adoção de sistemas de monitoramento permanece central: ferramentas como o Microsoft Family Safety estendem controles parentais até os 18 anos, adaptando-se às necessidades de proteção ao longo das fases de crescimento. Do ponto de vista de infraestrutura digital, trata-se de implantar proteções que operem nas mesmas camadas em que surgem os riscos — proativas, escaláveis e integradas ao fluxo de dados.
O balanço apresentado pela pesquisa não é de pessimismo, mas de alerta técnico: a rápida difusão da IA exige que a regulação, a educação e as soluções de segurança sejam projetadas como componentes da própria infraestrutura social. Em termos pragmáticos, proteger a experiência online é reforçar os alicerces digitais das nossas cidades e garantir que o sistema nervoso das comunidades continue a operar com sinais confiáveis.






















