Annuario 2025: a TV resiste — o roteiro do streamcasting e a centralidade da televisão
Apresentado na Câmara dos Deputados, o estudo “Le sfide dello streamcasting” traça um panorama que reconstrói a posição da televisão no ecossistema audiovisual contemporâneo. Longe de ser um epitáfio, a pesquisa revela que a tela tradicional mantém sua força simbólica e numérica: entre setembro de 2024 e maio de 2025, o consumo médio em Total Audience alcançou 8.730.000 espectadores por dia — uma queda marginal de apenas 1,2% em relação ao período anterior.
No prime time, o quadro é igualmente sólido: a audiência em Total Audience chega a 19,6 milhões de espectadores, com uma variação negativa limitada (-1,4%). Esses números não são meros dados, mas sim pistas sobre como a narrativa coletiva ainda encontra na televisão um espelho para suas memórias e rituais diários.
O Annuario 2025, curado por Massimo Scaglioni (professor ordinário de Economia e Marketing dei Media e diretor do Ce.R.T.A. da Università Cattolica del Sacro Cuore de Milão), e patrocinado pela AGCOM, foi produzido em colaboração com Auditel, APA, Adjinn, Comscore, Confindustria Radio Televisioni, eMedia, Ipsos, Nielsen, Sensemakers e UPA. O documento não apenas quantifica, mas interpreta: a oferta de vídeo cresceu (incluindo serviços de streaming, YouTube e redes sociais), porém o consumo reconhecido pela medição formal segue robusto.
A TV linear continua presente no cotidiano com cerca de 3 horas e 20 minutos diários de consumo médio, atingindo mais de 35 milhões de contatos e uma audiência média ao longo do dia superior a 7,6 milhões de espectadores no ano de 2025 (1º de janeiro a 31 de dezembro). Há uma redução contida — na ordem de 2,7% frente a 2024 —, mas insuficiente para deslocar a televisão do centro do sistema midiático nacional.
Por outro lado, o chamado “ascolto non riconosciuto” — que agrega serviços de streaming não captados granularmente por Auditel, além de atividades como browsing e gaming — permanece estável, na casa de pouco mais de 1,7 milhão de espectadores médios por dia ao longo de 2025. Na primeira serata, os canais tradicionais somam 17,7 milhões de espectadores médios, enquanto os consumos não reconhecidos atingem quase 3,9 milhões.
O conceito de streamcasting sintetiza essa nova gramática: uma hibridação entre o broadcasting clássico e o streaming online, onde atuam quatro protagonistas — os editori tradizionali de broadcasting, as plataformas globais, os serviços de streaming e as redes sociais. É um palco com múltiplas linguagens, que exige novas métricas e políticas públicas para entender o impacto cultural e econômico dessa convivência.
Como analista cultural, vejo neste momento um verdadeiro reframe da realidade midiática: a televisão não desaparece, ela se reinventa como coluna vertebral do consumo audiovisual coletivo, enquanto o streamcasting desenha novos contornos de atenção e memória. A cena mudou; o protagonismo permanece, mas em um cenário de transformação — como um filme que reescreve sua própria trilha sonora para dialogar com plateias multiplataforma.
Chiara Lombardi — Espresso Italia






















