Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
A medalha olímpica tem um peso que vai além do metal: carrega histórias pessoais, a expectativa de cidades e estados, e a memória coletiva de gerações. Ainda assim, a pergunta prática persiste quando as atenções se voltam para Milano Cortina 2026: quanto vale, em termos materiais, uma medalha de ouro, prata ou bronze?
A resposta começa pela história: como lembraram matérias recentes do New York Times, as medalhas de ouro dos Jogos Olímpicos não são em ouro maciço desde 1912, quando Estocolmo entregou as últimas peças em 24 quilates. Desde então, o padrão foi outro: as medalhas consideradas “de ouro” são confeccionadas em prata com uma camada exterior de aproximadamente 6 gramas de ouro para conferir a tonalidade e o prestígio do metal precioso.
Na prática, as especificações apontam que a medalha de ouro pesa cerca de 506 gramas, enquanto a de prata ronda os 500 gramas. As de bronze, produzidas em cobre, têm peso aproximado de 420 gramas. Esses números alimentam cálculos simples, mas significativos: diante da volatilidade dos mercados de metais, o custo material de uma peça varia consideravelmente.
Segundo dados da FactSet mencionados na cobertura dos Jogos recentes, os preços do ouro e da prata escalaram desde Paris 2024 — com incrementos reportados próximos a 107% para o ouro e 200% para a prata em certo período de comparação. Na abertura daqueles Jogos, o ouro cotava algo em torno de 4.100 euros por onça, enquanto a prata estava na faixa dos 64 dólares por onça.
Traduzindo para valores das peças: uma medalha de ouro de Milano Cortina 2026 é estimada em cerca de 2.300 dólares, o que corresponde a aproximadamente 1.930 euros; a medalha de prata ficaria na casa dos 1.400 dólares, ou 1.170 euros. A peça de bronze, pelo preço do metal, não atinge sequer 5 dólares em valor bruto. Ainda assim, esse cálculo material é um contraponto a uma verdade maior: o valor simbólico e social da medalha permanece inestimável.
Além do cálculo econômico, a prática traz outra preocupação: relatos sobre problemas mecânicos — como alças e lacetes que cedem — mostraram que nem sempre a apresentação física da medalha acompanha a robustez simbólica do prêmio. Reparos e ajustes tornaram-se urgentes em edições recentes, lembrando que o processo de fabricação e logística das peças também faz parte da narrativa olímpica.
Em minha leitura como analista que vê o esporte como espelho social, esses números não reduzem a medalha a um simples lote de metal. Pelo contrário: realçam contradições contemporâneas — entre mercado e memória, entre ostentação e precariedade material — e sublinham que ganhar uma medalha é, sobretudo, assinar um momento histórico que pertence ao atleta, à cidade anfitriã e à comunidade que o acompanha.
Enquanto os olhares se voltam para Milano Cortina 2026, vale lembrar que o real valor do pódio continua sendo a narrativa construída ao redor dele — e não somente o equivalente em euros ou dólares gravado na superfície metálica.
Fonte: New York Times; FactSet. Reportagem e análise: Espresso Italia.






















