Arianna Fontana conduziu mais uma página da história do esporte italiano: na manhã de terça-feira, 10 de fevereiro, a staffetta mista de short track consagrou-se com o segundo oro do Italia Team nas Olimpíadas de Milano Cortina 2026. Na Milano Ice Skating Arena, em Assago, o público em pé saudou o hino de Mameli enquanto a equipe azzurra completava a prova em 2:39.019 — tempo que valeu o posto mais alto do pódio.
A equipe campeã foi formada por Arianna Fontana e Pietro Sighel, acompanhados em pista por Thomas Nadalini e Elisa Confortola na final. O sexteto foi fechado por Luca Spechenhauser e Chiara Betti, disponibilizados para compor uma estrutura técnica que combinou experiência e renovação.
Para Arianna Fontana, porta-bandeira da delegação italiana, o ouro coletivo soma-se a um legado já excepcional: esta é mais uma medalha numa carreira olímpica iniciada precocemente — Fontana estreou em 2006, em Turim, como a mais jovem atleta italiana a subir ao pódio em Jogos de Inverno — e que agora alcança a marca de doze medalhas olímpicas, consolidando-a como a italiana mais laureada da história das edições invernais.
Do outro lado, o trentino Pietro Sighel chega ao seu terceiro ciclo olímpico como referência de uma geração que transformou o short track italiano: medalhista na edição anterior, Sighel trouxe à equipe o equilíbrio e a leitura tática necessárias numa prova de passagem tão intensa quanto a staffetta mista.
O triunfo de hoje é também o ponto culminante de um processo de crescimento do esporte no país. Impulsionado por talentos locais e por uma base técnica e de formação mais sólida, o movimento do short track italiano passou do estatuto de promessa a protagonista: recorde-se que a equipe havia conquistado a prata em Pequim 2022, e agora reivindica a supremacia em casa.
Entre os protagonistas, há trajetórias distintas que se encontram no gelo: para Elisa Confortola, Thomas Nadalini e Chiara Betti a participação em Milano Cortina foi um estreia olímpica coroada com o ouro — cada um com 23 anos, sinal de que a equação entre juventude e experiência foi bem resolvida. Luca Spechenhauser, com 25 anos e em sua segunda presença olímpica, ofereceu a profundidade e o desempenho de quem já carrega rotina de provas de alto nível.
Em termos simbólicos, a vitória na staffetta mista é mais do que uma conquista esportiva: é a expressão de uma identidade coletiva que, no gelo, conjuga história, formação regional e a capacidade de renovar-se sem perder referências. Estádios e pistas deixaram de ser meros palcos de competição para se tornarem espaços onde se reconta a ideia de Itália moderna — uma nação que investe em base, infraestrutura e que reconhece mulheres e homens do esporte como referência cultural.
No final, o que se ouviu em Assago foi o hino, mas o que ficará é a narrativa: a de um país capaz de produzir excelência olímpica mantendo um projeto de longo prazo. A equipe da staffetta mista de short track não deu apenas uma medalha ao Italia Team; deu sentido a anos de trabalho coletivo, técnico e social que sustentam o esporte italiano contemporâneo.






















