Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
Na noite em que a pista do Ice Skating Arena, em Assago (Milão), confirmou a força de uma geração e a continuidade de uma tradição, a Itália subiu ao lugar mais alto do pódio na staffetta mista de short track em Milano Cortina 2026. A equipe italiana converteu em ouro a experiência e a renovação, repetindo e superando o feito do segundo lugar em Pequim 2022.
O triunfo teve como eixo simbólico e técnico a presença da porta-bandeira e atleta mais medalhada do país nos Jogos, Arianna Fontana, cuja carreira se confunde com a história recente do esporte no país. Ao seu lado, o veterano de pódio Pietro Sighel — bronze nos 3.000 metros em 2022 — e os jovens que consolidam o futuro da modalidade: Thomas Nadalini e Elisa Confortola, que estiveram em pista na final decisiva. O leque da delegação italiana foi completado por Luca Spechenhauser e Chiara Betti, parte de um grupo que combina experiência, disciplina tática e velocidade de desenvolvimento.
Na disputa, o Canadá ficou com a medalha de prata e a Bélgica garantiu o bronze. A China, campeã em Pequim 2022, terminou logo atrás, em quarto lugar. O resultado em Assago tem duplo significado: afirma a Itália como potência europeia do short track e evidencia a crescente competitividade mundial, com nações tradicionais e emergentes disputando lâminas e posições até os instantes finais.
Como observador que entende o esporte além do resultado, interessa-me ressaltar o que essa vitória representa para o tecido esportivo italiano. Não se trata apenas de uma sequência de voltas bem administradas; é o produto de uma matriz de formação que sobreviveu a crises orçamentárias, reestruturações de clubes e à necessidade de modernização de centros de treinamento. A presença de Fontana é, ao mesmo tempo, símbolo de uma trajetória pessoal incomum e de uma estabilidade institucional que agora se vê recompensada no gelo.
A modalidade, historicamente menos midiatizada que o futebol ou o ciclismo na Itália, ganha com este ouro melhor visibilidade e, potencialmente, mais recursos. A performance coletiva, com trocas limpas nas transições e leitura tática das corridas, mostrou também o trabalho dos técnicos e das equipes de apoio — fisiologia, preparação mental e logística — aspectos que raramente entram no flash do pódio, mas que determinam o resultado.
Milano Cortina 2026 amplia, assim, a narrativa do esporte italiano: entre memória e renovação, herança e planejamento. A medalha de ouro na staffetta mista de short track é, mais do que um troféu, um sinal de que a construção coletiva e o cuidado com novas gerações podem produzir conquistas capazes de traduzir uma cidade, uma região e um país.
Detalhes técnicos, entrevistas e análises complementares seguirão no acompanhamento da Espresso Italia, com foco nas implicações esportivas e institucionais deste resultado.





















