Em uma noite que misturou memória e reestruturação, a Roma reencontrou a vitória e recuperou a quarta posição do Campeonato Italiano ao bater o Cagliari por 2-0 no Stadio Olimpico. O jogo, raro em sua aparente simplicidade tática, trouxe à tona elementos que ultrapassam o resultado: a presença de Francesco Totti nas tribunas, as escolhas de Gasperini para a escalação e a consolidação de Donyell Malen como peça ofensiva decisiva.
Sete dias depois do revés em Udine, a equipe da capital mostrou recuperação pragmática. A partida começou com uma pressão controlada dos mandantes. Logo aos 18 minutos, o goleiro Caprile evitou um desastre ao salvar em cima da linha uma possível autogol — um alerta sobre a intenção romana de explorar as costas da defesa sarda.
A estratégia de ataque da Roma foi clara: procuraram os deslocamentos de Malen nas costas dos zagueiros adversários. A movimentação e a combinação com os meias surtiram efeito aos 25 minutos, quando Mancini verticalizou pelo centro-direita e serviu o holandês, que superou o marcador, entrou na área e finalizou com um sutil toque por cobertura sobre Caprile para abrir o placar. O gol sintetizou duas linhas do futebol contemporâneo: a importância do timing nas infiltrações e a eficácia de um plano simples bem executado.
No segundo tempo, a Roma manteve a posse e controle do ritmo. Aos 57 minutos, Zaragoza entrou em campo, recebendo o calor da torcida em sua estreia — um gesto que remete à tradição romana de ver jovens talentos serem apresentados como promessa e patrimônio coletivo. Ainda assim, a noite continuou sendo de Donyell Malen. Aos 65, uma recuperação de bola de Pisilli pela direita deu sequência ao lance: Celik avançou e cruzou para o holandês, que finalizou no rebote e ampliou para 2-0.
O segundo gol deu à partida um caráter mais controlado. Malen teve ainda oportunidades para aumentar o marcador, mas foi substituído taticamente por Gasperini antes do fim. Pelo Cagliari, que vinha de dois resultados positivos, restou o esforço isolado: aos 78 minutos, um disparo de Sulemana atingiu a trave — o último lampejo de perigo dos visitantes.
Além do resultado, a leitura de fundo é política e cultural. A presença de Totti — alvo recente de especulações sobre retorno ao clube — e a vitória que recoloca a Roma ao lado da Juventus (ambas com 46 pontos) ilustram como o futebol italiano continua a negociar passado e futuro em cada rodada. Para o Cagliari, a derrota interrompe uma breve fase positiva, deixando o time com 28 pontos.
Fim de jogo no Olímpico: 2-0. Uma vitória que vale mais do que três pontos para a Roma — é uma reafirmação de identidade tática e um lembrete de que, no futebol contemporâneo, a construção coletiva frequentemente passa por decisões precisas de individualidades como Malen.






















