Feminicídio, confissão e incertezas: é este o quadro que emerge após a descoberta do corpo de Zoe Trinchero, 17 anos, em um pequeno ribeiro de Nizza Monferrato, no Astigiano. Segundo a apuração, a vítima foi agredida, estrangulada e deixada no curso d’água quando, possivelmente, ainda havia chance de socorro. O esclarecimento definitivo ficará a cargo da autópsia.
Na declaração aos investigadores, o principal suspeito — Alex Manna, 20 anos incompletos — admitiu ter desferido socos contra a jovem: “Não sei por que”, disse ele em sua confissão. “Eu fazia boxe. “Minha versão é que a peguei a socos, talvez mais de um. Não a empurrei para o canal, só a deixei cair”. A lacônica justificativa enfatiza o caráter brutal e aparentemente sem motivações claras do episódio.
Manna encontra-se detido na prisão de Alessandria, à espera da validação da custódia. A sua advogada, Patrizia Gambino, anunciou que o visitará nas próximas horas. Investigadores trabalham para reconstruir a cronologia completa: se a agressão ocorreu por volta da meia-noite, o corpo foi encontrado aproximadamente duas horas depois. A questão central — se Zoe poderia ter sido salva caso alguém tivesse chamado o socorro imediatamente — será respondida pelo laudo necroscópico.
Documentos e depoimentos recolhidos pelos carabinieri indicam que Manna, após a agressão, não pediu ajuda. Em vez disso, correu até a casa de sua namorada para trocar de roupa antes de voltar a encontrar amigos. Além disso, ele admitiu ter desviado a investigação inicialmente, apontando um homem conhecido na cidade como autor do ataque. “Eu disse que poderia ser ele porque… ele é um pouco estranho. Eu errei”, teria declarado Manna aos militares e ao Ministério Público.
O homem injustamente acusado é o músico e professor Naudy Carbone, 30 anos. Carbone chegou a ser cercado por cerca de trinta amigos da vítima sob risco de linchamento; os carabinieri precisaram retirá-lo do local para protegê-lo. Conhecidos descrevem sinais recentes de desconforto no comportamento de Carbone, porém negam a ideia de agressividade. O irmão dele, Ruben, agradeceu publicamente às forças de segurança e ressaltou que “alguém terá de pedir desculpas”.
A sequência dos fatos, conforme as investigações preliminares, é a seguinte: Zoe saiu às 21h do Bar della Stazione, onde trabalhava, e dirigiu-se a um grupo de amigos que se reuniam em uma garagem próxima — um ponto informal para comer e socializar. Quando dois integrantes chegaram tardiamente e não havia mais comida, Zoe e Manna os acompanharam a comprar um kebab, caminhando em ritmo mais lento. A partir desse momento, a versão única disponível é a de Manna.
As autoridades reforçam que permanecem pontos a esclarecer: a dinâmica exata da discussão que evoluiu para violência, o tempo entre a agressão e o socorro (ou a ausência dele), e a motivação do crime. A perícia médica e o laudo pericial permitirão determinar se havia possibilidade de salvar Zoe Trinchero caso fosse prestado socorro imediato, além de estabelecer a causa precisa do óbito.
Enquanto isso, processa-se também a apuração de eventuais crimes conexos: difusão de informação falsa, denúncias caluniosas e incitação à violência contra terceiros. O episódio lançou sobre a cidade de Nizza Monferrato um clima de consternação e tensão; moradores cobram respostas rápidas e rigorosas. A reportagem segue acompanhando as investigações in loco, com cruzamento de fontes e atualização dos fatos assim que novas peças do inquérito forem formalizadas.






















