Em 22 de fevereiro, a Arena de Verona se tornará palco de uma cena que liga passado e presente, patrimônio e performance: a cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Inverno Milano Cortina 2026 receberá o espetáculo Beauty in Action, assinado pelo coreógrafo e diretor Diego Tortelli. Escolhido pela Fundação Milano Cortina 2026 e pela Filmmaster, o show traz como protagonista um dos maiores conjuntos de dança italianos, o Aterballetto, em diálogo com a escola de balé da Ópera di Roma dirigida por Eleonora Abbagnato e com a participação da estrela internacional Roberto Bolle.
A monumental Arena di Verona, patrimônio mundial da UNESCO, será repensada como um grande espaço público e fluido, onde não haverá uma separação rígida entre palco e plateia. Essa decisão cenográfica assume um valor simbólico: transformar o anfiteatro em uma praça italiana viva, um lugar que celebra a beleza como força dinâmica que atravessa arte, esporte e relações humanas. A proposta reforça a ideia de que a cerimônia olímpica é também um gesto cultural, um roteiro público que traduz em imagens a resistência, a superação e a comunidade.
Como head of choreography da cerimônia, Diego Tortelli desenha sequências que exploram a dança como linguagem universal. Para Adriano Martella, creative director do evento e head of creative da Filmmaster, a dança tem a capacidade de condensar valores, emoções e visões: um código que une força e fragilidade, disciplina e liberdade. É essa ambivalência que permite às coreografias serem metáforas do esforço atlético e do despertar coletivo que os Jogos propõem.
O conceito visual se inspira na imagem de uma gota de água, metáfora de um ciclo natural em movimento que conecta montanha, planície, cidade, lagoa, mar e céu. Essa semiótica do fluido reconfigura a Arena como um cenário de transformação, onde superfícies luminosas, movimentos coletivos e sequências coreográficas acompanham os atletas — verdadeiros protagonistas — numa festa que exalta coragem e limite ultrapassado.
A cerimônia extrapola os muros do anfiteatro: Piazza Bra e o Teatro Filarmonico de Verona serão integrados ao evento, com a participação do coro e da orquestra da Fundação Arena de Verona. Assim, a celebração se torna difusa e compartilhada, reafirmando a centralidade da cultura e das artes performativas na construção da identidade italiana contemporânea.
Este momento é, para além do espetáculo, um espelho do nosso tempo: a escolha da dança e da interação entre patrimônio e inovação aponta para um reframe da realidade cultural, onde o entretenimento funciona como dispositivo de memória e de futuro. Aterballetto, Roberto Bolle e a Ópera di Roma não apenas encerram os jogos; oferecem um roteiro oculto da sociedade que celebra limites vencidos e a beleza como motor de transformação.






















