O salto de esqui é a disciplina mais antiga e, possivelmente, a mais emblemática dos Jogos Olímpicos de Inverno: presente desde Chamonix 1924, ele combina técnica, coragem e uma dimensão quase estética. Em 2026, as provas serão disputadas em Val di Fiemme, durante os Jogos de Milano‑Cortina 2026, reafirmando o papel do esporte como um espelho da tradição alpina e das políticas desportivas europeias.
O salto é composto por quatro momentos decisivos: a rincorsa (inrun), o impulso na beirada do trampolim (o take‑off), o voo propriamente dito e o aterrissagem, que idealmente termina em posição de Telemark. Cada um desses gestos é avaliado, e a soma determina o vencedor. A margem de erro é ínfima: prevalece quem melhor combina distância e controle técnico.
Quanto à distância, as marcas em voo podem oscilar entre cerca de 90–100 metros em trampolins normais até mais de 200 metros nas provas de ski flying. O recorde oficial de distância em competição pertence ao austríaco Stefan Kraft, com 253,5 metros em Vikersund (2017). É preciso, porém, distinguir entre saltos oficiais e voos realizados fora de competições homologadas — somente os primeiros entram nas listas oficiais da FIS.
A pontuação total resulta da conjugação de duas componentes: a distância e o estilo. A pontuação por distância é calculada em relação ao ponto K ou ponto de referência da colina: atingi‑lo garante uma base de pontos (valor frequentemente fixado em torno de 60 pontos em muitas provas), e cada metro a mais ou a menos altera essa base por um valor por metro que varia conforme o tamanho do trampolim (tipicamente na casa de 1,8–2,0 pontos por metro, conforme as normas aplicáveis).
O estilo é julgado por cinco árbitros; o maior e o menor dos cinco escores são descartados e os três restantes somados. Cada juiz pode conceder até 20 pontos por salto, de modo que o teto do estilo costuma ser 60 pontos. A avaliação considera o comportamento em voo, a qualidade do aterro e a saída final (outrun). Movimentos excessivos de braços, pernas ou dos esquis reduzem a nota; a aterrissagem deve ser fluida e completada em Telemark para maximizar os pontos de técnica.
Para preservar a equidade, existe um sistema de compensação de vento, que adiciona ou subtrai pontos segundo as condições encontradas durante o salto — um reconhecimento técnico de que vento e condições meteorológicas influenciam decisivamente o resultado.
Nas provas de Milano‑Cortina 2026, programadas para Val di Fiemme, o programa inclui: individual trampolim normal (mulheres), individual trampolim grande (mulheres), individual trampolim normal (homens), individual trampolim grande (homens), super team masculino e a prova por equipes mistas. O trampolim normal é, muitas vezes, o palco mais técnico, onde a perfeição do gesto é mais valorizada; o trampolim grande permite voos mais longos e, portanto, coloca ênfase também na gestão do tempo de permanência no ar.
Do ponto de vista formativo e cultural, o salto de esqui é singular: pode ser praticado fora da neve em superfícies plásticas e rampas secas, a tecnologia dos equipamentos e dos trajes é objeto de escrutínio constante, e episódios recentes de controvérsia sobre a adequação de certos ajustes no vestuário levaram a revisões regulatórias para proteger a igualdade de condições entre atletas.
Interpretado como fenômeno social, o salto revela a tensão entre tradição e inovação — entre a memória de cidades alpinas, a engenharia dos saltos e a gestão contemporânea do espetáculo esportivo. Em Val di Fiemme, os saltadores não disputarão apenas metros: defenderão uma ideia de esporte que conjuga precisão, risco e presença coletiva.






















