Por Chiara Lombardi para Espresso Italia
Em um pequeno showcase no Arci Bellezza, em Milão, o cantor e rapper lucano Chiello — nascido Rocco Modello em 1999, em Venosa — apresentou ao público o seu novo álbum Agonia, que chega às plataformas em 6 de março. Vestido com calças de couro pretas, botinhas e gravata combinando, o artista ofereceu uma performance contida e um encontro íntimo com imprensa e fãs, coerente com a atmosfera do disco.
Agonia é um álbum de 11 faixas que se anuncia como um exercício de exposição emocional. “Agonia é uma palavra muito existencial”, diz Chiello. “Se liga a um conceito de dor, mas também de luta interna, de estado de transição. É o viver dentro de um conflito, e é esse o fulcro do disco.” A ideia de um conflito permanente atravessa letras e sonoridades, desenhando o retrato de um artista em crise produtiva — não apenas para chocar, mas para mapear sua própria paisagem interior.
Um dos temas mais representativos, Scarlatta, traz versos como “Non chiedo compassione, io sono come sono” (“Não peço compaixão, eu sou como sou”), uma declaração que resume a escrita direta do disco: sem filtros morais, porém carregada de intenção estética. A narrativa vocal de Chiello transita entre a urgência do rap e a melancolia indie rock, apontando para um diálogo entre tradição urbana e paisagens sonoras mais amplas.
Em meio ao repertório, destaque também para a canção com que o artista participará do Festival de Sanremo: Ti penso sempre. Sobre a escolha, Chiello confessa que se guiou por sensações: “Vado molto a sensazioni. L’ho sentita e ho pensato fosse quella giusta, senza chiedermi perché. Penso sia uno di quei brani che può arrivare a tutti” — traduzindo: ele acreditou na intuição, numa música capaz de alcançar diferentes públicos.
Essa será a primeira vez de Chiello como protagonista no palco do Ariston — no ano anterior, esteve apenas na serata delle cover ao lado de Rose Villain. Mantendo um tom desengajado sobre a competição, declara: “Sono abbastanza tranquillo, la competizione non mi interessa. Non penso che nella musica debba esserci competizione. A me interessa suonare e andare in sala prove”; e, com ironia, acrescenta: “Forse spero di arrivare ultimo”. Essa mesma ironia funciona como um reframe: rejeita o espetáculo da vitória e prioriza o ato criativo.
No núcleo criativo do projeto está a parceria com Tommaso Ottomano — o “Tommy” — descrito por Chiello como uma peça fundamental, embora não vá subir ao palco com ele em Sanremo. Eles se conheceram há quatro ou cinco anos por meio de Francis Delacroix, e desde então a afinidade musical se consolidou.
Sonicamente, Agonia puxa para um imaginário internacional: ecos de indie rock — passagens que remetem, em timbre e atitude, a universos próximos a bandas como The Strokes. “Muito disso me foi apresentado pelos rapazes da banda”, explica o cantor, que intensificou suas pesquisas sonoras e passou por uma evolução natural desde o trabalho anterior, Scarabocchi, e o sucesso das primeiras turnês por clubes.
O aspecto visual do álbum recebeu atenção cuidadosa. A capa, inspirada no trabalho do fotógrafo Todd Hido, explora a imagem de casas desertas à deriva em uma luz fraca: imagens que evocam solidão, narrativas não ditas e um sentimento de afastamento do centro. Para Chiello, essas imagens espelham a música — um conjunto de paisagens íntimas, quadros de isolamento e desejo por significado.
Em Agonia, a escrita é direta, quase cinematográfica: um espelho do nosso tempo em que a confissão pessoal vira roteiro coletivo. Ao apresentar o disco em Milão, Chiello não apenas lançou faixas novas; estabeleceu um ponto de observação sobre como a crise interna pode ser transformada em forma estética, sinalizando um artista que prefere o trabalho artesanal à coreografia do sucesso.






















