Diabete tipo 1 está em expansão e a medicina entra em um novo ciclo de prevenção: além do controle da glicemia, surgem intervenções que atacam as raízes imunológicas da doença. Na Itália, a patologia afeta cerca de 0,2% da população — contra aproximadamente 5% do diabete tipo 2 — e apresenta um aumento estimado em torno de 3% ao ano. Como observador sensível das mudanças que impactam corpo e cidade, vejo esse movimento como um despertar: não apenas gerir sintomas, mas cuidar das raízes.
O diabete tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico destrói progressivamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. O resultado é a elevação persistente da glicemia e a necessidade de terapia com insulina ao longo da vida, com risco de complicações renais, cardiovasculares, oftalmológicas e neurológicas. Contudo, a paisagem terapêutica está mudando.
“Estamos entrando numa nova era, em que não nos limitamos a controlar a glicemia, mas intervimos nas causas imunológicas da doença”, afirma Paolo Fiorina, professor de Endocrinologia na Universidade de Milão e diretor da Unidade de Endocrinologia e Diabetologia da ASST Fatebenefratelli-Sacco. Entre as novidades mais relevantes está o Teplizumab, um anticorpo monoclonal que recebeu recentemente aprovação da agência reguladora europeia para uso em indivíduos de alto risco. Ensaios clínicos demonstraram que o medicamento pode atrasar o aparecimento da diabetes clínica em pessoas com autoanticorpos, adiando a necessidade de insulina por um período significativo — uma janela de tempo preciosa para qualidade de vida e prevenção de complicações.
Além do Teplizumab, três frentes concentram as esperanças dos pesquisadores: imunoterapia dirigida, terapia genética e o desenvolvimento de células-tronco para repôr ou proteger as células beta. A imunoterapia busca reeducar o sistema imune para tolerar as células produtoras de insulina; a terapia genética pretende tornar as células beta mais resistentes ao ataque autoimune; e as células-tronco abrem caminho para substituir células perdidas, com abordagens que variam desde o implante de ilhotas a dispositivos de encapsulamento que evitam a rejeição.
Essas estratégias não substituem a prevenção clássica, mas ampliam o leque: fala-se hoje de prevenção primária (evitar gatilhos ambientais, como infecções virais), secundária (identificar e intervir em quem já tem autoanticorpos) e terciária (reduzir danos e complicações após o diagnóstico). Pesquisas também investigam fatores ambientais associados ao aumento de casos — hipóteses como a influência de infecções virais, mudanças no microbioma e fatores ambientais ligados ao estilo de vida — sugerem que o ambiente onde vivemos atua como clima que molda o «tempo interno» do corpo.
Desafios permanecem: o custo e acesso às novas terapias, a duração da proteção imunológica, efeitos colaterais potenciais e a necessidade de estudos de longo prazo para confirmar benefícios sustentados. A integração entre triagem precoce, abordagens farmacológicas e tecnologias de reposição celular desenha um futuro em que o diagnóstico não sela mais um destino inevitável, mas abre possibilidades de convivência mais leve com a doença.
Na prática clínica italiana e internacional, a mensagem é clara: estamos colhendo uma nova safra de estratégias, que visam atrasar o início do diabete tipo 1 e torná-lo menos severo. Como em um jardim que precisa de solo, sementes e cuidado, a prevenção eficaz requer políticas de saúde, investigação contínua e uma atenção sensível ao ambiente em que crescemos — a respiração das nossas cidades e hábitos.
Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia






















