Alberto Tomba, ícone do esqui italiano, reapareceu no centro do debate em Milano-Cortina 2026 com observações que misturam ironia, memória e um olhar crítico sobre a condução simbólica dos Jogos. Em conversa com a imprensa em Casa Italia, em Cortina, Tomba comentou tanto o forte começo da seleção italiana quanto episódios mais íntimos envolvendo atletas em destaque.
Parando frequentemente nas ruas para autógrafos, o ex-campeão recordou a emoção de presenciar outra edição dos Jogos na Itália: “Me comovi já em Turim, vinte anos atrás. É impressionante como ainda sou seguido, mesmo depois de 28 anos”. No balanço provisório do esqui, ressaltou o valor das conquistas: “Já um prata e dois bronzes, uma boa abertura. Pena o resultado de Vinatzer na combinada; Franzoni esteve grandioso”.
Sobre a recente repercussão de uma reação sua no pódio de Sofia Goggia, Tomba foi direto: “Dizem que eu teria dito ‘eu só tenho ouros’, quando na verdade falei ‘carino questo bronzo’.” O ex-campeão explicou o tom irônico de sua fala e comentou o lugar do gossip nas Olimpíadas: “O gossip gosta sempre mais, senão do que se fala?”
Com a habitual preocupação em separar imagem e função pública, Tomba também avaliou o gesto simbólico em Cortina: o fato de Sofia Goggia ter sido a última portadora da tocha olímpica provocou sua observação crítica. “Talvez fosse melhor se tivesse sido o Thoeni. A Sofia é uma atleta em competição e os atletas em competição não deveriam…”, disse, sugerindo que a sobreposição de papéis pode pesar sobre quem ainda luta por uma performance.
Voltando à performance coletiva, Tomba mostrou otimismo calculado sobre a corrida por medalhas: “Podemos superar as vinte medalhas de Lillehammer 1994. Talvez consigamos algumas a mais, estava falando disso com o presidente da federação.” A leitura é prática: vê nas estruturas e no momento competitivo italianos a possibilidade de ampliar um legado já histórico.
Sobre o acidente envolvendo Lindsey Vonn, Tomba manteve a posição que havia externado no dia anterior: “Ela não deveria ter corrido em Crans-Montana. Virou como aconteceu no Mundial de 1991. Uma pena, porque vinha se preparando há muito tempo para estes Jogos.” O comentário mistura preocupação técnica com uma franqueza que lembra a sua trajetória como atleta que também conheceu lesões e limites do risco.
Por fim, elogiou a postura de Federica Brignone na pista: “Ela tem muita garra. Vi-a na descida e não esperava tanto. A descida é um instante, um salto em que, se aterrar mal, acabou. Ela foi bravíssima.”
Como repórter e analista que acompanha o esporte como fenômeno social, sobra em Tomba uma voz que oscila entre a memória afetiva e a crítica institucional — a mesma voz que, ao atravessar gerações, continua a narrar não só vitórias, mas o significado de cada ato esportivo dentro da vida coletiva italiana.
Assina: Otávio Marchesini, Espresso Italia.





















