Bruxelas aprovou um **empréstimo UE** de até 390 milhões de euros destinado a sustentar as operações da Acciaierie d’Italia, a empresa que administra os ativos da ex Ilva em Taranto. A medida, validada sob as normas comunitárias de auxílios estatais, tem caráter temporário e visa cobrir custos operacionais — incluindo salários e pagamentos a fornecedores — por um período máximo de seis meses.
Segundo a Comissão Europeia, o apoio é estritamente proporcional ao fabbisogno imediato de liquidez e foi concedido em condições de mercado comparáveis às disponíveis a concorrentes. O objetivo declarado é assegurar a continuidade produtiva do maior produtor siderúrgico integrado da Itália até a conclusão da transferência das atividades a um novo operador, processo que segue por meio de uma licitação em andamento.
Em apuração com cruzamento de fontes institucionais e sindicais, a empresa segue em situação de insolvência desde fevereiro de 2024. A autorização comunitária condiciona o desembolso à apresentação, ao final do prazo de seis meses, de um plano de reestruturação ou de liquidação, ou à demonstração do reembolso integral do montante emprestado.
A decisão de Bruxelas levou em conta também as possíveis consequências sociais e econômicas de uma paralisação abrupta das atividades, sobretudo na Puglia, onde o desemprego permanece acima da média europeia. Um corte súbito na produção teria efeitos em cadeia sobre filões industriais dependentes do aço, da indústria automotiva à construção civil.
Permanece, porém, aberta a vertente ambiental: existe em curso uma procedura d’infrazione contra a Itália relativa ao cumprimento de normas sobre emissões industriais no complexo de Taranto. O eventual novo gestor terá obrigações explícitas de descarbonização, incluindo o encerramento das áreas a carvão e a instalação de fornos elétricos.
Do lado laboral, os sindicatos anunciaram a realização de uma conferência de imprensa nos próximos dias para exigir esclarecimentos sobre o pedido de prorrogação da cassa integrazione para 4.450 trabalhadores por mais 12 meses. A empresa, por sua vez, comunicou que o altoforno 2 deve ser reiniciado por volta de 20 de fevereiro, após mais de dois anos de inatividade. Atualmente, apenas o altoforno 4 está em operação; o altoforno 1 permanece sob sequestro sem autorização de uso.
O cenário definido pela intervenção europeia é de curto prazo e condicionado: a liquidez busca evitar um choque social imediato e preservar ativos industriais enquanto se define um operador capaz de cumprir metas ambientais e financeiras mais amplas. Acompanhar a tramitação da licitação, a evolução do plano apresentado pelo governo italiano e o desfecho da infração ambiental será determinante para avaliar se o empréstimo terá efeito estabilizador duradouro ou apenas temporário.
Giulliano Martini — Espresso Italia. Reportagem com apuração de documentos oficiais da Comissão Europeia, notas sindicais e comunicado da Acciaierie d’Italia.





















