Sou Alessandro Vittorio Romano, observador dos ritmos da vida e da mesa italiana, e convido você a reencontrar nas pequenas sementes um gesto de saúde cotidiano. As leguminosas — versáteis, sustentáveis e ricas em nutrientes — são destacadas nas Linhas‑guia para uma sana alimentazione do Istituto Superiore di Sanità (ISS) como pilares de uma dieta moderna e protetora. Em torno do Dia Mundial das Leguminosas, celebrado em 10 de outubro, o apelo é claro: consumir essas fontes vegetais ao menos três vezes por semana para colher benefícios que vão além do prato.
As razões são várias e sólidas. As leguminosas fornecem proteínas vegetais de qualidade, são ricas em fibras, pobres em gorduras e isentas de colesterol. Essa combinação ajuda a aumentar a sensação de saciedade, contribui para o controle da glicemia, reduz o risco cardiovascular e melhora a função intestinal. Além disso, integrar mais leguminosas à rotina alimentar significa também escolher um modelo mais sustentável para o planeta — uma decisão que respira com a terra e seus ciclos.
Dentre as clássicas, as lentilhas merecem um elogio especial: antigas e práticas, são fonte relevante de ferro, ácido fólico, proteínas e fibras. Simples de cozinhar, adaptam‑se bem a todas as idades e ficam ainda mais nutritivas quando combinadas com cereais integrais e alimentos ricos em vitamina C, que aumentam a absorção do ferro vegetal.
Os grãos‑de‑bico, por sua vez, destacam‑se pelo teor de fibras solúveis, úteis para a regulação do colesterol e para a sensação de saciedade prolongada. Feijões variados, ervilhas e outras leguminosas completam esse grupo com perfis complementares de vitaminas, minerais e compostos benéficos ao microbioma intestinal.
Na prática, incluir leguminosas três vezes por semana não exige rituais complexos: sopas reconfortantes no inverno, saladas frescas na primavera, purês, pastas tipo hummus, ensopados rústicos ou acompanhando massas e cereais inteiros — cada preparação é uma oportunidade de harmonizar sabores e texturas, como uma paisagem que se revela em camadas.
Pequenas dicas úteis: prefira combinar as leguminosas com cereais integrais para um perfil proteico mais completo; associe frutas cítricas ou verduras ricas em vitamina C para melhorar a absorção de ferro; e, quando usar feijões secos, deixar de molho e cozinhar bem ajuda na digestibilidade e reduz o tempo de preparo.
Do ponto de vista coletivo, adotar mais leguminosas é também cuidar da respiração da cidade — um gesto individual que ecoa em escolhas alimentares menos intensivas para o clima. No ritmo lento e constante de quem vive bem, a repetição de um hábito saudável é como a colheita de hábitos: plantamos legumes no prato e, com o tempo, recolhemos mais energia, equilíbrio e proteção contra doenças crônicas.
Convido você a observar o seu calendário de refeições como se observa a paisagem: onde podem entrar mais lentilhas, grão‑de‑bico ou feijões? Três vezes por semana é um marco simples e poderoso. É a promessa de um corpo que agradece e de um planeta que sorri em silêncio.





















