Por Marco Severini — As autoridades de Cuba notificaram as companhias aéreas que operam no país que as entregas de querosene serão suspensas por um mês a partir de terça‑feira, 10 de fevereiro, às 00:00 hora local. A informação foi confirmada à AFP por um representante de uma aérea europeia que preferiu permanecer anônimo.
O comunicado da aviação civil cubana informa que não haverá mais fornecimento de Jet Fuel, o combustível para jatos, medida que se insere num cenário mais amplo de profunda crise energética na ilha.
O colapso do fornecimento decorre, em grande medida, da interrupção das remessas de petróleo provenientes da Venezuela, pressionada pelos EUA. Washington também ameaçou impor tarifas a países que continuem a vender petróleo à ilha. Em 29 de janeiro, o presidente Donald Trump assinou um decreto executivo que qualificou Cuba como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, intensificando a lógica de contenção.
Cuba, que produz apenas cerca de um terço de sua demanda energética, foi forçada a adotar um plano de emergência destinado a manter funções essenciais sem importações de petróleo bruto e derivados. Entre as medidas anunciadas estão a redução de horários de atendimento em hospitais e repartições públicas e o fechamento temporário de hotéis — sinais claros de uma infraestrutura energética sob tensão.
Do ponto de vista geopolítico, Moscou acusou os EUA de tentar sufocar a ilha por meio do embargo às entregas de combustível. Dmitry Peskov, porta‑voz do Kremlin, afirmou que as medidas americanas são “sufocantes” e agravaram significativamente a situação em Cuba. A Rússia declarou estar em diálogo com Havana para avaliar formas de assistência, numa tentativa de recompor, ainda que parcialmente, um eixo de apoio que desafie as restrições impostas por Washington.
Em paralelo, o Ministério das Relações Exteriores do México anunciou o envio simbólico de ajuda humanitária: mais de 814 toneladas de alimentos serão transportadas pelos navios logísticos da Marinha Mexicana, Papaloapan e Isla Holbox, a partir do porto de Veracruz. A operação pretende enfatizar solidariedade regional e aliviar parte dos efeitos sociais da crise.
Como analista que observa o tabuleiro de xadrez internacional, é preciso notar que estamos diante de um movimento decisivo nas linhas de abastecimento energético e influência. A suspensão do querosene não é apenas um problema técnico da aviação; é um nó logístico com repercussões imediatas na mobilidade, no turismo e na operação de serviços críticos, que por sua vez altera a tessitura política interna e o equilíbrio de influências externas.
Num cenário onde os alicerces da diplomacia parecem frágeis, cada peça deslocada — sanção, assistência, decreto executivo — redesenha fronteiras invisíveis de poder. A resposta internacional, tanto humanitária quanto estratégica, será determinante para a estabilidade imediata da ilha e para a definição das próximas jogadas entre Washington, Moscou, Caracas e os aliados regionais.






















