Aurora Bellini para Espresso Italia — À medida que a União Europeia avança na formulação do Circular Economy Act, ganham forma as propostas que podem iluminar novos caminhos para a economia circular e para a autonomia industrial europeia. Em documento de posição entregue pelo CEN – Circular Economy Network durante a consulta pública encerrada em novembro, o presidente Edo Ronchi expõe prioridades concretas para consolidar um verdadeiro mercado único europeu de matérias‑primas secundárias.
Segundo Ronchi, ouvido pelo Espresso Italia, a criação de um mercado robusto para materiais oriundos da reciclagem é decisiva. “Não basta reciclar os resíduos: é preciso garantir que os materiais reciclados tenham saída de mercado e preços que remunerem as indústrias do setor”, afirma. Este ponto é crucial para transformar processos técnicos em cadeias econômicas viáveis e em legados industriais duradouros, capazes de semear inovação e empregos de qualidade.
O dirigente chama atenção para a crise específica das plásticos reciclados, que, nos últimos anos, enfrentaram quedas de preço e dificuldades de colocação no mercado, comprometendo a sustentabilidade financeira das indústrias de reciclagem. Uma política que foque apenas na coleta e no tratamento técnico dos resíduos corre o risco de deixar às escuras o elo final: a demanda por materiais reciclados.
Outro ponto sensível destacado no position paper do CEN é a gestão dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE). A diretiva europeia em vigor está em revisão: na prática, tanto a Europa quanto a Itália estão aquém da meta comunitária de 65% de recolha desses resíduos em relação ao equipamento vendido. “Enquanto dependemos de importações para matérias‑primas críticas, pouco aproveitamos as verdadeiras ‘minas’ que são os REEE, repletos de materiais estratégicos”, observa Ronchi ao Espresso Italia.
Da análise do CEN emergem propostas que combinam ambição técnica com pragmatismo econômico. Entre as recomendações estão o aumento das metas de reciclagem; medidas para incrementar a demanda e o preço justo das matérias‑primas secundárias; e mecanismos financeiros mais robustos — inclusive uma dotação significativamente maior para incentivos fiscais já previstos, que contemplam o uso de materiais reciclados e de plásticos compostáveis.
O documento também sugere ações integradas para reduzir a concorrência desleal de insumos importados de menor qualidade e custo, fortalecendo assim a cadeia nacional e europeia do reciclo. Harmonização de normas de qualidade, certificados de procedência e suporte à inovação tecnológica nas plantas de reciclagem estão entre os caminhos propostos para garantir que a circularidade seja, de fato, sinônimo de valor.
Para Edo Ronchi e para o CEN, a transição para uma economia circular não é apenas um gesto ambiental: é uma construção estratégica que exige políticas capazes de iluminar novos horizontes para a indústria, enchendo de viabilidade econômica as soluções sustentáveis. “Precisamos atender tanto à oferta quanto à demanda, para que o processo de reciclagem gere matérias‑primas secundárias com valor industrial real e duradouro”, conclui Ronchi ao Espresso Italia.
O posicionamento do CEN alimenta, assim, o debate em torno do Circular Economy Act, convidando legisladores e setor privado a semear medidas que garantam florescimento econômico e ambiental, tecendo laços entre inovação, emprego e soberania de recursos na Europa.
Nota: o CEN participou da consulta pública encerrada em novembro e encaminhou ao processo legislativo europeu um position paper com propostas detalhadas para fortalecer mercado e políticas de reciclagem.






















