Por Chiara Lombardi — Na vitrine do entretenimento, o fim de semana revela mais do que números: desenha um espelho do nosso tempo onde gostos, memórias e estratégias de mercado se encontram. Nos dados da Cinetel, Gabriele Muccino confirma sua liderança na bilheteria com ‘Le cose non dette’, que soma 1.701.942 euro entre 5 e 8 de fevereiro e atinge um total de 4.411.615 euro.
O cenário geral do último fim de semana registrou 8.988.775 euro no total, um crescimento de +35% em relação ao período de 6 a 9 de fevereiro de 2025, mantendo-se praticamente estável em comparação com o fim de semana anterior. Esses números não são apenas cifras; são fragmentos do roteiro oculto que revela como o público responde a narrativas e a estratégias de lançamento.
O pódio sofreu alterações importantes com duas new entries. Em segundo lugar surge a comédia policial ‘Agata Christian – Delitto sulle nevi’, de Eros Puglielli, que arrecadou 1.490.655 euro (1.530.863 euro incluindo as pré-estreias). Em terceiro, a comédia de e com Antonio Albanese, ‘Lavoreremo da grandi’, estreou com 783.062 euro. A chegada dessas produções ao topo confirma uma dinâmica curiosa: a coexistência de títulos autorais e filmes de apelo popular reescrevendo a ordem do mercado.
No quarto posto aparece o documentário sobre a boyband de K-pop, ‘Stray Kids: The Dominate Experience’, com 692.249 euro — prova de que mercados de nicho continuam a exercer força quando bem ativados. Na sequência, aparecem ‘Marty Supreme’ (4.118.128 euro) e o surpreendente ‘Buen camino’ com 75.743.309 euro, títulos que, em diferentes escalas, compõem o mosaico contemporâneo do cinema.
A sétima posição é conquistada por ‘Hamnet – Nel nome del figlio’, de Chloé Zhao, que estreia com 595.926 euro, sinalizando o interesse do público por obras de autor com proposta forte. Em oitavo lugar, Paolo Sorrentino mantém a relevância com ‘La Grazia’ (6.815.878 euro), enquanto a novidade ‘Anaconda’ aparece em nono com 294.926 euro. Por fim, ‘Sentimental Value’, de Joachim Trier, fechou o quadro do fim de semana com 256.635 euro no período e um acumulado de 1.211.273 euro.
Mais do que um ranking, esses resultados contam uma história sobre preferência e memória coletiva: há espaço tanto para o cinema que busca grandes plateias quanto para obras que constroem sua presença a partir de afinidades culturais específicas. Como analista, vejo nesse movimento um reframe da realidade da indústria — onde o êxito se mede em busca de sentido, identidade e capacidade de diálogo com o público.
Em definitivo, o box office desta semana revela um pequeno universo em transformação, onde diretores consolidados como Muccino e Sorrentino dividem as luzes com estreias que testam novos códigos de atração. O roteiro oculto da plateia continua em escrita coletiva.






















