Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia
Em uma noite que sintetiza bem a natureza imprevisível do esporte olímpico, o duo italiano formado por Stefania Constantini e Amos Mosaner garantiu vaga nas semifinais do curling em Milano Cortina, mesmo após a derrota sofrida no turno da noite.
Pela sessão vespertina, a dupla italiana consolidou confiança e precisão ao superar a República Tcheca por 8-2, em partida marcada por jogadas controladas e decisões táticas corretas no fim de cada end. A vitória parecia traçar um caminho direto às fases finais, reforçando a reputação da dupla que, para muitos, já representa uma referência do duplo misto na Itália.
No entanto, o encontro noturno contra a Grã-Bretanha teve outro roteiro: os britânicos impuseram um ritmo mais agressivo e capitalizaram erros puntuais dos azzurri, vencendo por 9-6. A derrota poderia ter sido fatídica para as ambições italianas, mas o desfecho do torneio mostrou que o quadro geral depende do tabuleiro coletivo — neste caso, da surpreendente vitória da Suíça sobre a Noruega.
Com o triunfo suíço, abriu-se a possibilidade que beneficiou Constantini e Mosaner: a combinação de resultados garantiu à dupla italiana o acesso às partidas que decidem as medalhas. É um resultado que, embora não venha sem sobressaltos, confirma a consistência do time ao longo da fase de grupos e sua capacidade de resistir às variações do torneio.
É relevante olhar além do placar. O curling de duplo misto exige sincronia fina entre técnica e leitura do gelo, além de um entendimento tático apurado entre as duas peças. Constantini e Mosaner exibem esses atributos — uma razão pela qual permanecem competitivos frente a seleções com tradições mais longas no gelo. A derrota para a Grã-Bretanha evidencia, porém, que a margem de erro é reduzida em um torneio de curta duração e que ajustes estratégicos serão necessários nas semifinais.
Para a Itália, a passagem às semifinais tem significado simbólico e prático. Simbolicamente, reforça a presença do país em modalidades invernais menos centrais culturalmente, ampliando a narrativa esportiva italiana além de futebol e automobilismo. Na prática, oferece à dupla uma janela de oportunidade para lutar por medalha, consolidando um ciclo de resultados que vem desde competições anteriores.
Nas próximas horas, a equipe técnica terá de analisar pontos específicos: a gestão do hammer em ends decisivos, a precisão nos lançamentos com maior pressão e a comunicação durante as jogadas que exigem sweeping coordenado. Pequenas correções podem ser diferenciais decisivos nas semifinais.
Em suma, a passagem de Stefania Constantini e Amos Mosaner às semifinais de Milano Cortina confirma a dupla como protagonista do torneio. A derrota noturna é um lembrete da competitividade e da volatilidade do duplo misto, mas não diminui o mérito de uma classificação conquistada com técnica e persistência.
Próximo passo: ajustes e foco. O gelo não perdoa hesitações; quem entender isso melhor nas semifinais ficará mais próximo do pódio.





















