MILÃO, 08 de fevereiro de 2026 – Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Entre cerimônias e competições que marcam a agenda de Milano-Cortina, uma presença de outro universo esportivo chamou atenção: o tenista sérvio Novak Djokovic foi visto nas arquibancadas da Milano Ice Skating Arena, em Assago, assistindo à prova por equipes de patinação artística.
Djokovic, recém-classificado finalista nos Australian Open — torneio no qual derrotou o italiano Jannik Sinner nas semifinais — parecia desfrutar do espetáculo com a mesma concentração que demonstra em quadra. Filmagens e fotos o mostraram sorrindo ao ritmo da música e recebendo aplausos dos espectadores entre um ato e outro. Antes, o tenista já havia sido visto na cerimônia de abertura, no estádio de San Siro, demonstrando um interesse visível pelos eventos que cercam estes Jogos de Inverno híbridos.
Mais do que um rosto conhecido entre o público, a presença de Novak Djokovic em Assago revela um aspecto relevante da atual paisagem esportiva europeia: a interseção cada vez maior entre modalidades e os papéis simbólicos que grandes atletas ocupam fora de sua própria especialidade. Em uma Itália que celebra a volta dos grandes eventos ao território — e que vê em Milano-Cortina uma oportunidade de projeção cultural e econômica — a aparição de estrelas internacionais funciona como catalisador de atenção e legitimidade.
Para o observador atento, não se trata apenas de curiosidade midiática. A foto do campeão acompanhado da família nas arquibancadas diz respeito à construção de memórias coletivas e ao modo como o espetáculo esportivo se nutre de presenças ilustres. Estádios e arenas são palco de rituais onde se entrelaçam identidade local e espetáculo global — e a patinação artística, com sua combinação de técnica, música e teatralidade, oferece terreno fértil para esse tipo de cruzamento simbólico.
Do ponto de vista esportivo estrito, a vinda de Djokovic não altera o resultado das competições sobre o gelo. Mas, simbolicamente, reforça a narrativa que Milan e Cortina tentam costurar: um país capaz de reunir tradição — alpina e urbana — e apelo moderno, onde ícones do esporte transitam entre bolas, raquetes e patins. Para a imprensa e para o público, a imagem é elástica: serve tanto como curiosidade quanto como indicador do alcance internacional do evento.
Em um cenário em que os grandes eventos esportivos disputam atenção, a presença de um campeão de extração diferente ilumina a ambição de Milano-Cortina de ser, ao mesmo tempo, norte de competição e vitrine de imagem. Novak Djokovic nas arquibancadas de Assago é, portanto, um detalhe que diz muito sobre o que estes jogos buscam representar: encontro, projeção e a persistente capacidade do esporte de produzir significados além das marcas e das estatísticas.





















