Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma noite que reflete tanto a tradição quanto a renovação da patinação italiana, a delegação da Itália assegurou a medalha de bronze no team event de patinação artística nos Jogos Olímpicos Milano Cortina. A conquista veio após apresentações sólidas nas quatro disciplinas que compõem a prova por equipes: dança, pares, simples feminino e simples masculino.
O conjunto italiano contou com performances relevantes de duplas e solistas: a dança de Charlene Guignard e Marco Fabbri, o par artístico formado por Sara Conti e Niccolò Macci, e os singlistas Lara Gutmann e Matteo Rizzo. Cada segmento confirmou o caráter coletivo da prova — não se trata apenas do brilho isolado de um nome, mas da profundidade e consistência de um programa nacional.
Ao fim da disputa, a Itália terminou atrás dos Estados Unidos, guiados por uma exibição destacada de Ilia Malinin, e do Japão, que manteve a regularidade técnica necessária para superar adversários. O pódio reafirma o crescimento do sistema de formação italiano nos últimos anos: centros regionais, tradição técnica e investimentos em programas de base estão começando a produzir resultados também em formato coletivo.
Como analista, vale sublinhar que o team event oferece uma leitura sociológica do esporte. Ele expõe a capacidade de um país em distribuir talento por setores e em preparar atletas para responder sob pressão em conjunto — qualidades que nem sempre emergem em eventos individuais. Para a Itália, o bronze é tanto um prêmio esportivo quanto um diagnóstico: há talento e capacidade, mas também lacunas de profundidade que precisam ser preenchidas para competir de igual para igual com potências históricas.
Guignard e Fabbri trouxeram ritmo e refinamento coreográfico; Conti e Macci reafirmaram a competitividade dos pares italianos; Gutmann e Rizzo — cada um em sua sessão — deram pontos cruciais que, somados, cimentaram a presença italiana no pódio. A harmonia entre técnica, expressão e estratégia foi determinante, e revela a mão de treinadores e estruturas de apoio que souberam coordenar esforços para uma prova tão específica.
Mais do que uma medaling, a noite em Milano Cortina representa um capítulo na construção de memória esportiva: estádios e pistas viram-se arenas de identidade regional e nacional, e atletas assumem papéis de símbolos em disputas maiores, que envolvem financiamento, visibilidade e a própria capacidade de inspirar novas gerações.
O desafio para a federação italiana agora é transformar este bronze em alicerce: ampliar programas de detecção de talentos, investir em infraestrutura e fomentar ciclos de competição que permitam aos jovens atletas amadurecer com a experiência coletiva exigida pelo formato por equipes. Se a Itália quer mais que pódios eventuais, precisa converter conquistas como esta em projeto de longo prazo.
Registro final: o bronze no team event é um resultado que honra os atletas e aponta caminhos; também é um lembrete de que o esporte, em sua dimensão coletiva, continua sendo um reflexo das escolhas organizativas e culturais de um país.





















