RESUMO
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Lindsey Vonn, 41 anos, sofreu uma queda grave durante a prova de descida livre feminina na pista Olympia delle Tofane, em Cortina, e foi submetida a cirurgia após diagnóstico de fratura na perna esquerda. A queda, ocorrida apenas 13 segundos após a largada, interrompeu de forma brusca a tentativa de um retorno que carregava valor simbólico — de volta à cena 16 anos depois do ouro em Vancouver.
Imediatamente assistida na pista, Vonn foi levada ao pronto-socorro do Policlinico Codivilla, gerido pela Ulss 1. Após os primeiros exames, a campeã norte-americana foi transferida de helicóptero para o Ospedale Ca’ Foncello, em Treviso, onde permaneceu internada e, no período da tarde, passou por um procedimento ortopédico de estabilização da fratura na perna esquerda.
Em declarações à imprensa, sua irmã, Karin Kildow, destacou a entrega absoluta da atleta: “Ela dá sempre 110%, coloca todo o coração. Às vezes acontecem coisas — é um esporte muito perigoso”. A voz que acompanha há anos a trajetória da família traduz a dimensão humana do acidente: um gesto técnico que fracassou não é apenas um revés esportivo, é uma interrupção na narrativa de uma carreira que já faz história.
Também entre colegas, o choque foi imediato. A esquiadora olímpica e campeã Breezy Johnson declarou: “Desejo o melhor para Lindsey, espero que isto não seja o fim da sua carreira”. A frase resume a ambivalência do mundo esportivo contemporâneo: admiração e solidariedade num contexto onde o risco faz parte da equação competitiva.
Do ponto de vista clínico, a opção pela cirurgia de estabilização é padrão em fraturas complexas que comprometem a consolidação e a função imediata. Do ponto de vista simbólico, o episódio reacende perguntas antigas sobre o ciclo de vida dos atletas de elite, sobre as motivações que levam veteranos a regressar ao topo e sobre os limites entre coragem e exposição.
Esta lesão de Lindsey Vonn — figura que transcende o mundo do esqui, por sua história e por sua capacidade de se reinventar — merece acompanhamento atento: uma recuperação plena depende de múltiplos fatores médicos, da qualidade da reabilitação e, não menos, das decisões pessoais que a atleta e sua equipe tomarão nas próximas semanas.
Posteiras de Bergamo e o afeto do público
Em outra notícia que traça a face cotidiana do esporte italiano, emerge a figura de Melissa Ratto, 55 anos, carteira das Poste Italiane desde 1997. Responsável por entregas na zona dos colli di Bergamo Alta, direção Valle di Astino, Melissa conta que a rotina nestas ruas históricas passou a incluir um aumento notável de cartas e mensagens dirigidas a atletas locais, entre elas a campeã Sofia Goggia.
“Este é um período intenso — explica Melissa —, além dos cartazes de apoio nos portões, chegam cartas de fãs, inclusive do exterior, sobretudo da Suíça. É algo bonito de ver.” A narrativa de Melissa lembra que o serviço postal, mesmo em plena era digital e de entregas de pacotes, continua a desempenhar um papel simbólico: materializar carinho, proximidade e presença na vida das comunidades.
No seu trajeto, Melissa raramente encontra Sofia Goggia, dada a agenda de treinos e competições da atleta; por isso, a correspondência é deixada na casa da mãe. A discreta continuidade do serviço postal é apresentada como um elemento de coesão social — um trabalho de presença que alcança desde as valles remotas até os centros urbanos, e que, na relação com o desporto, traduz a dimensão pública do afeto pelas figuras que representam uma cidade ou uma nação.
Em Bergamo, Melissa atua em dupla com Domenico, reforçando a ideia de um serviço que é coletivo e enraizado. É uma recordação útil: além dos grandes palcos e dos boletins médicos, o esporte vive também nas cartas, nos lares e nas pequenas rotas que carregam histórias de identidade e admiração.
Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia






















