Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma tarde que ilustra tanto a renovação quanto a tradição do esporte italiano, a delegação nacional somou dois capítulos distintos: na neve, Giovanni Franzoni assumiu a dianteira na combinada masculina após a descida livre; na pista de gelo, a dupla de curling formada por Amos Mosaner e Stefania Constantini assegurou classificação às semifinais e, com isso, a garantia de ao menos uma medalha para a Itália.
Na prova de velocidade da combinada masculina, Giovanni Franzoni assinou o melhor tempo: 1’51″80. Segundo os números oficiais, Franzoni foi vinte e oito centésimos mais rápido que o suíço Marco Odermatt, consolidando uma performance que mistura técnica e arrojo — duas qualidades historicamente valorizadas pelos esquiadores italianos em provas de risco elevado. A folha de tempos da descida apresenta, na sequência, Monney a +0.17, Odermatt a +0.28, Von Allmen a +0.42 e Dominik Paris a +0.59. Ainda assim, a decisão final da combinada passa pela manche de slalom, onde Alex Vinatzer terá a missão de transformar vantagem e expectativa em uma disputa por pódio.
As leituras técnicas são claras: a pista exigiu precisão nas entradas e coragem nas transições. O desempenho de Franzoni, jovem e já encaixado no circuito, representa uma combinação de formação esportiva e impulsos pessoais que têm renovado o esqui italiano nas últimas temporadas. Por outro lado, o dia trouxe também um revés: Florian Schieder sofreu uma queda após o primeiro intertempo, circunstância que levou à decisão de que Lukas Kastlunger não entrará na segunda descida — um golpe para as pretensões coletivas que impede avaliações mais abrangentes da profundidade do elenco.
No gelo, a narrativa foi tática e emotiva. A dupla Amos Mosaner e Stefania Constantini confirmou na prática o crescimento do curling italiano ao derrotar os Estados Unidos por 7 a 6 no último embate da fase de grupos (round robin). A partida foi decidida no último end, quando os italianos, aproveitando-se do hammer e do power play, marcaram o ponto que selou a vitória. O quinto end havia sido particularmente decisivo: uma execução quase perfeita rendeu quatro pontos e consolidou a liderança por 6 a 2.
Com esse triunfo, a dupla italiana terminou a fase classificatória na segunda posição do grupo e volta a enfrentar os Estados Unidos nas semifinais, em uma revanche agendada para as 18h05. Do outro lado da chave, Gran Bretanha e Suécia medirão forças pela segunda vaga. A vitória dos azzurri nesta parte do torneio significaria não só uma medalha, mas também a confirmação de um projeto esportivo que investe em especialização, estruturas e cultura competitiva fora das tradições mais consolidadas do país.
Mais do que resultados isolados, os acontecimentos do dia oferecem leituras sobre como o esporte italiano se reinventa: gerações jovens (como Franzoni e Vinatzer) dividem espaço com nomes consagrados (Paris), e modalidades antes periféricas como o curling ganham profundidade institucional e simbólica. No conjunto, trata-se de uma fotografia do sistema esportivo: capaz de alternar risco e método, arrojo individual e trabalho coletivo.
Atualizações e desdobramentos seguintes dependerão da manche de slalom da combinada e da semifinal de curling programada para a noite. A expectativa é que ambos os capítulos confirmem ou desafiem as narrativas que emergiram hoje — e, sobretudo, que expliquem melhor o lugar que esses atletas ocupam na memória coletiva do esporte italiano.






















