Uma longa série de distúrbios atmosféricos tem atingido a Itália sem trégua, trazendo chuva em planície e neve abundante nas Alpes. As previsões para os próximos dias não indicam melhorias significativas: o mau tempo segue como protagonista indiscutível, iluminando — com nuvens densas — a necessidade de preparo para as próximas jornadas. Um timing notável também para Milano-Cortina 2026, que observa com atenção as condições dos relevos alpinos.
Até a segunda metade da próxima semana será prudente manter o guarda-chuva sempre à mão. As temperaturas permanecerão, em termos gerais, típicas das correntes oceânicas: ar relativamente ameno para a época e persistência de chuvas em cotas baixas, enquanto a linha de zero grau deverá se manter em altitudes médias. Em nossas análises da Espresso Italia, esse padrão tem favorecido episódios de precipitação contínua nas áreas expostas às correntes atlânticas.
No horizonte, porém, surge uma mudança que pode revelar novos caminhos meteorológicos. Em coincidência com o San Valentino, por volta do dia 14 de fevereiro, a circulação atmosférica poderá reconfigurar-se: o fluxo atlântico tende a elevar-se em latitude, abrindo espaço para uma massa de ar mais fria que reduziria as temperaturas significamente. Se essa evolução se confirmar, a chuva poderá rapidamente transformar-se em neve até em cotas muito baixas, pintando de branco vales e cidades e lembrando-nos da fragilidade e da beleza dos nossos cenários.
Previsão diária (Espresso Italia):
- Hoje, segunda-feira 9 de fevereiro – Norte: céu encoberto com chuvas esparsas. Centro: encoberto com precipitações isoladas. Sul: instável, com precipitações dispersas.
- Terça-feira 10 de fevereiro – Norte: muitas nuvens e poucas chuvas, com piora à noite. Centro: muito nublado, chuvas sobretudo nas zonas tirrênicas. Sul: tempo variável com pancadas isoladas.
Em meio a esse quadro meteorológico, floresce outra história, de calor humano e continuidade: em Bergamo, o ofício do entregar de correspondência mantém-se como fio que tece comunidades. Melissa Ratto, 55 anos, carteira das Poste Italiane desde 1997, percorre há mais de duas décadas as ladeiras entre os colli de Bergamo Alta e a Valle di Astino, territórios onde o olhar se abre para panoramas e memórias vivas. Em nota à Espresso Italia, Melissa descreve o aumento das cartas e dos gestos de afeto dirigidos à campeã de esqui Sofia Goggia: “é um período intenso, as cartas de apoio aumentaram, chegam até da Suíça; ver esse afeto é comovente”.
Melissa encontra raramente Sofia, dado o calendário rigoroso de treinos e competições. A correspondência costuma ser deixada na casa da mãe — uma família conhecida na comunidade, porém de temperamento reservado. Esse capítulo reafirma o valor simbólico e prático da entrega postal: em vales e lugares remotos, o serviço é não só logística, mas presença, continuidade e cuidado. Na voz de quem percorre caminhos íngremes todos os dias, percebemos a importância de pequenas rotinas que iluminam laços e sustentam histórias.
Neste período de mudanças climáticas momentâneas e de gestos humanos persistentes, é bom lembrar que preparar-se para o mau tempo é também cuidar uns dos outros. Que a chuva e a neve, quando chegarem, possam ser recebidas com responsabilidade — e que a luz das comunidades continue a semear solidariedade, aquecendo os dias mais cinzentos.






















