Em uma prova marcada pela dramaticidade da queda de Lindsey Vonn, a italiana Sofia Goggia confirmou seu lugar no pódio ao conquistar a medalha de bronze na descida feminina de Cortina d’Ampezzo. A vitória ficou com a americana Breezy Johnson, que brilhou na pista Olympia, enquanto a jovem alemã Emma Aicher, de 22 anos, faturou a prata.
A prova teve um momento de grande apreensão quando Lindsey Vonn sofreu uma queda violenta após um salto e terminou sendo retirada de helicóptero com suspeita de lesão ligamentar. A interrupção e a preocupação com a colega marcaram o ambiente antes das descidas decisivas — circunstâncias que tornaram ainda mais complexa a tarefa de quem ainda precisava competir.
Em coletiva após a cerimônia, Sofia Goggia descreveu a tensão das esperas e o esforço para manter a concentração: “Não olhei para as outras atletas. Entendi que a Lindsey havia caído porque algo gritava. Não foi fácil esperar: o sol esquentava o capacete, estava escaldante. Mas mantive o foco em mim, não vi as linhas das outras. Fiz a minha estratégia”. Sobre a medalha, resumiu: “É o último cor da coleção que me faltava. Estou um pouco triste, errei no Schuss delle Tofane e, chegando ao Duca d’Aosta, senti que não deslizei tão bem. Mesmo assim, são três Olimpíadas sempre no pódio. É algo grande”.
Para Goggia, que já havia sido ouro em PyeongChang 2018 e prata em Pequim 2022 — esta, alcançada 23 dias depois de um grave infortúnio —, o bronze em Cortina completa uma sequência histórica de três edições olímpicas com medalha, e tem valor simbólico e afetivo por se tratar da sua pista do coração.
A prova coronou Breezy Johnson, que desceu como um relâmpago na parte final da Olympia. Vencedora do título mundial em Saalbach no ano anterior, a americana confirmou a capacidade de superar a ansiedade das grandes decisões e transformar talento em resultado quando importa.
A jovem alemã Emma Aicher, já com currículo promissor incluindo uma prata por equipes em Pequim, mostrou versatilidade ao transitar da velocidade ao slalom e justificou o status de grande promessa das próximas temporadas.
Entre as italianas, destaque também para a performance de Laura Pirovano, que terminou em sexto lugar após uma prova combativa. Nicol Delago ficou na 11ª posição, a 1″55 da vencedora. Já Federica Brignone, décima colocada a 1″19 da líder, mostrou serenidade e satisfação: “Estou feliz com o meu esqui, feliz com tudo. Não sou a mesma do ano passado, mas está tudo bem”. Brignone anunciou que não disputará a combinada e dedicará o tempo ao treino para o gigante.
Mais do que um pódio, a descida em Cortina revelou as múltiplas dimensões do esqui de velocidade: risco e técnica, gestão emocional diante de incidentes traumáticos e o peso da memória esportiva. Para Sofia Goggia, a medalha é também uma pequena narrativa sobre resiliência e pertencimento — a confirmação de que a sua trajetória, para além dos resultados, é parte viva da identidade do esqui italiano.






















