Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma prova que confirmou tradição e resiliência, Dominik Fischnaller conquistou a medalha de bronze no slittino nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026. O atleta de 32 anos, natural de Bressanone e integrante do corpo dos Carabinieri, terminou a soma das quatro descidas em 3’32″125, a 0″934 do alemão Max Langenhan, que levou o ouro com 3’31″191. O austríaco Jonas Mueller ficou com a prata, em 3’31″787.
Este é o segundo pódio olímpico de Fischnaller — depois do bronze obtido em Pequim 2022 — e reafirma um percurso esportivo marcado por constância e pela cultura do deslize no Tirol do Sul. A medalha também amplia o quadro da delegação italiana em Milano Cortina: passa a ser a oitava conquista da campanha nacional, que já contava com o ouro de Lollobrigida no patinação de velocidade, as pratas de Franzoni no esqui alpino e do revezamento misto no biatlo, e os bronzes de Goggia, Paris, Lorello e Dalmasso.
Fischnaller foi terceiro após as primeiras duas descidas e manteve a posição nas terceira e quarta heats, demonstrando regularidade mais do que um pico explosivo. Essa consistência é, de certa forma, a assinatura de atletas formados em territórios onde os desportes de inverno não são apenas atividade esportiva, mas parte da paisagem social e identitária. Bressanone, e de modo mais amplo o Alto Adige, tem tradição de produzir sledders e pistas técnicas que moldam talentos para competições internacionais.
Do ponto de vista esportivo, a soma de tempos e a margem de menos de um segundo para o vencedor recortam a prova em detalhes milimétricos: afinações de equipamento, precisão nas linhas de corrida e nervos de aço nas partidas. Fischnaller, com sua experiência e vínculo institucional aos Carabinieri, representa uma via clássica para muitos atletas italianos: suporte institucional aliado a ambientes locais férteis para a prática de alto rendimento.
Além do valor esportivo imediato, o bronze de Fischnaller tem repercussões simbólicas. Em uma edição dos Jogos realizada em casa, cada pódio italiano é leitura sobre coesão nacional, investimentos em infraestrutura e sobre como regiões históricas do país — especialmente o Norte — participam e se reconhecem na narrativa olímpica. A medalha reforça também a pluralidade da delegação italiana em esportes de gelo e neve, apontando que a Itália não é apenas potência em esqui alpino, mas mantém competidores competitivos em modalidades menos midiáticas.
Na pista, os números são claros; fora dela, a conquista alimenta memórias locais e estratégias institucionais. Para um país que vive o esporte como espelho social, o bronze de Dominik Fischnaller é ao mesmo tempo resultado individual e reflexo de sistemas — clubes, forças armadas no esporte, e tradições regionais — que sustentam o alto rendimento.
Espresso Italia acompanha a cobertura de Milano Cortina com olhar histórico e analítico, atento ao que cada medalha revela sobre o país e suas regiões.
Atualizado em 2026-02-08 às 19:39





















